A desaceleração tectónica da economia chinesa foi esta terça-feira confirmada pelos dados oficiais divulgados pelas autoridades chinesas e que mostraram que as exportações chinesas para o resto do mundo caíram 5,5% em agosto, em termos homólogos e ajustados ao valor do dólar. São dados como este que os investidores estão a antecipar há várias semanas, fazendo cair os preços das ações e outros ativos chineses, e que estão a levar as autoridades chinesas a reagir – ainda que estas garantam não terem promovido a desvalorização da moeda para contrariar a queda das exportações.

Não só as exportações chinesas caíram em agosto (5,5% em valor ajustado ao dólar e 6,1% sem ajustamento) mas, também, as importações afundaram na China: 13,8%, em termos ajustados ao dólar. O valor, que é um agravamento face à queda de 8,1% de julho, é o pior resultado desde maio e marca o décimo mês consecutivo de redução das importações chinesas.

“Os dados de agosto vêm na sequência do que já tínhamos visto em julho”, diz o economista independente chinês Ma Guangyuan, citado pelo Financial Times. O especialista lamenta, no entanto, que, “agora, o abrandamento global tornou-se, claramente, uma realidade”.

As bolsas europeias estão a apoiar-se em alguns resultados empresariais para negociar em alta ligeira, depois das perdas que marcaram a semana passada (justificadas pelos analistas com os receios quanto à China), mas a bolsa japonesa fechou a cair mais de 2% e anulou os ganhos que acumulava na prestação desde o início do ano.

A segunda maior economia do mundo está, assim, não só a comprar menos ao estrangeiro – petróleo, minério de ferro, cobre, entre outras matérias-primas – mas, também, a vender menos aos clientes estrangeiros, nomeadamente na Europa e no Japão. “A China deverá falhar o objetivo de crescimento das exportações, e não haverá uma grande ajuda por parte do setor externo, mesmo com a desvalorização do yuan“, explica Liu Xuezhi, economista do Bank of Communications, em Xangai, citado pela Bloomberg.

A desvalorização abrupta do mercado acionista chinês abrandou nos últimos dias, apesar de continuarem a sair dados como estes sobre a balança comercial, que apontam para uma desaceleração da economia. Mas “a economia chinesa está, do ponto de vista dos seus fundamentos, ótima“, garantiu na sexta-feira Yi Gang, governador adjunto do banco central chinês que esteve na reunião do G20 em Ancara.