Eram quatro homens, nos seus vinte, jovens, a viverem a vida possível num subúrbio de Edimburgo, capital escocesa. Não era fácil, o trabalho não abundava, o tino na cabeça também não, o álcool e as drogas como melhores companhias. A heroína, sobretudo ela, tornou-se um vício e uma fonte ilegal de dinheiro. Isto não era a história de “Trainspotting”, mas é o sumo essencial do filme que, em 1996, captou a atenção de muita gente e se tornou numa das fitas de culto que perdurou na memória coletiva de quem gosta de filmes. E a boa notícia para essas pessoas é que vem aí uma sequela.

Sim, é mesmo desta. Porque rumores era algo que nunca faltou nos últimos anos, já que Danny Boyle, o realizador, sempre foi dizendo que, um dia, tentaria reunir os atores principais e dar seguimento ao filme que encantou milhões de olhos nas salas de cinema. Finalmente, conseguiu-o. “Todos os quatro querem voltar e fazê-lo. Agora é só uma questão de fazer com que as suas agendas coincidam, o que é complicado, pois dois estão a rodar séries norte-americanas”, explicou o inglês, responsável por filmes como “A Praia” (2000), “Quem Quer Ser Bilionário?” (2008) ou “127 horas” (2010).

Não vai mesmo ser pêra fácil. Ewan McGregor, o principal dos atores — que interpretava a personagem Renton –, a cara bonita que foi catapultada para a fama com Trainspotting e desde então não mais parou, já viu com bons olhos uma sequela do filme, mas há os tais dois problemas. Johnny Lee Miller, o Sick Boy, faz hoje de um Sherlock Holmes moderno, a viver em Nova Iorque na série “Elementar”, enquanto Robert Carlyle, o mais velho do grupo, é presença regular em “Era Uma Vez”, que mistura fantasia com um retrato da vida real. Fica a faltar Ewen Bremmer, que parece estar livre que nem um passarinho para regressar ao seu papel de Spud.

Será melhor, portanto, começar a acertar as datas. Isto porque a intenção de Danny Boyle, como anunciou no festival de cinema de Telluride, nos EUA, onde está a apresentar “Steve Jobs”, filme sobre um dos fundadores da Apple, é a de lançar a sequela durante 2016, ano em que se cumprirão duas décadas desde o lançamento de “Trainspotting”.

E já se sabe mais qualquer coisa sobre o que aí vem. A sequela chamar-se-á “Porno” e virá, outra vez, de um livro escrito por Irvine Walsh, autor escocês da obra que deu origem ao primeiro filme. As personagens são as mesmas, sendo que a história passa-se uma década após o período do enredo original. Pelo nome não é difícil adivinhar o resto — ao invés de girarem em torno da droga e da heroína, os protagonistas estão agora envolvidos na indústria pornográfica.