A área social é a principal bandeira do partido Juntos Pelo Povo (JPP) às eleições legislativas, que quer também apresentar na Assembleia da República propostas para alterar os regimes de exclusividade e imunidade dos deputados.

Depois do sucesso alcançado em março na Madeira, onde conseguiu eleger cinco deputados para a Assembleia Legislativa Regional na sua estreia como partido, o JPP vai concorrer pela primeira vez às eleições legislativas nacionais, apostando em 14 círculos e na eleição, de pelo menos, um deputado.

“Os dois objetivos que definimos para estas eleições são, em primeiro lugar, a difusão e promoção do movimento enquanto partido a nível nacional e, depois, a possível eleição de representantes”, disse o secretário-geral do JPP, Élvio Sousa, em entrevista à agência Lusa.

O Juntos Pelo Povo, movimento de cidadãos que surgiu na Madeira em 2008 e se tornou partido no início deste ano, foi a grande surpresa nas eleições madeirenses, tornando-se a terceira força política no arquipélago.

Nesse sentido, Élvio Sousa admitiu que o problema para as legislativas é a divulgação do partido no continente e admitiu que há “uma probabilidade forte” do JPP eleger um deputado pela Madeira.

“Vamos apresentar-nos aos portugueses não como candidatos a primeiro-ministro, mas como candidatos à representatividade popular, que é para isso que funciona a AR. Da mesma forma quando nos candidatamos à Assembleia Legislativa Regional, não nos candidatamos a presidente do Governo Regional, mas como representantes da população no parlamento”, afirmou.

Élvio Sousa, que apesar de ser secretário-geral do JPP não é candidato às legislativas para “não quebrar a confiança” que os madeirenses depositaram nele ao elegerem-no como deputado regional, sublinhou que o partido quer, na Assembleia da República, apresentar propostas nas áreas do social, emprego, economia e sistema político.

“O JPP se eleger representantes nestas eleições vai abordar as medidas sociais, a questão do emprego, promoção de políticas de emprego que é fundamental nesta conjuntura, e a questão do sistema político”, realçou.

Como exemplo de algumas propostas, Élvio Sousa referiu o alargamento da isenção do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) a pessoas carenciadas e casais desempregados e a defesa da casa de família como um direito impenhorável, além de medidas de apoio à natalidade, como a isenção do IVA nas fraldas.

O JPP defendeu também uma reforma do sistema político através da revisão dos regimes de exclusividade e imunidade parlamentar.

“Um deputado é mandatado para os serviços dos cidadãos e da população e tem que se dedicar a esta atividade em exclusivo. Temos deputados que estão no privado na parte da manhã e, à tarde, votam diplomas que lhes são interessados, este fenómeno não credibiliza e não é transparente para a população”, disse, adiantando que um deputado “não pode ter mais direitos que um cidadão normal”.

Na entrevista, Élvio Santos considerou importante que das eleições de 04 de outubro não saia uma maioria absoluta, uma vez que “é da pluralidade que nasce a unidade” e os responsáveis pela situação económico-financeira do país são os partidos do arco da governação.

Nesse sentido, acrescentou que os adversários políticos são o PS, PSD e CDS/PP, apesar de admitir “cenários de entendimento parlamentar” caso consiga eleger um deputado.

Durante a campanha, o JPP vai centrar as ações nos centros urbanos, apostando no contacto com as pessoas nas ruas.

“Sendo o JPP um projeto para estar com as pessoas, para ouvir os seus problemas e desses problemas traduzir aspetos reais para a agenda política, nós vamos dar primazia a uma campanha personalizada, rosto a rosto, aquilo que chamamos porta-a porta”, disse.