A nave espacial Messenger recolheu dados e medições dos movimentos de Mercúrio ao longo da sua órbita, durante mais de quatro anos, que revelam que o planeta gira 9 segundos mais rápido do que se pensava. A informação é analisada num estudo recentemente publicado na revista Geophysical Research Letters.

Os investigadores já tinham realizado cálculos e medições à trajetória de Mercúrio desde a Terra, mas os novos dados são os primeiros recolhidos no espaço pela Messenger – que orbitou o planeta durante quatro anos, antes  de  se despenhar, em abril passado, por falta de combustível.

Mercúrio gira 9 segundos mais rápido do que os cálculos realizados anteriormente indicavam. “Não é  uma grande diferença, em partes por milhão, mas é inesperado», disse Jean-Luc Margot, investigador da Universidade de Califórnia em Los Angeles, e co-autor do estudo.

Mercúrio não gira suavemente sobre um eixo, mas experimenta flutuações regulares de velocidade ao longo do ciclo de 88 dias que demora a circundar o Sol.  Estas oscilações da órbita de Mercúrio são causadas pela interacção com a trajectória da estrela. A atracção gravitacional do Sol acelera ou atrasa a rotação de Mercúrio, dependendo de onde está posicionado o planeta na sua órbita elíptica.

Estudos anteriores mostraram que por cada duas voltas ao Sol, Mercúrio gira três vezes sobre o seu eixo, o que revela a influência da estrela na sua órbita. Este novo estudo reforça que o movimento de rotação do planeta é mais complexo do que se pensava.

Os investigadores acreditam que a diferença na velocidade de rotação pode ter origem no campo de gravidade de Júpiter, que “empurra” Mercúrio para fora da sua órbita e altera a sua distância em relação ao Sol. Segundo a proposta dos autores, a influência de Júpiter – que leva 12 anos a dar uma volta ao Sol  – produz uma vibração a longo prazo que se estende pelos 88 dias que dura a órbita de Mercúrio à volta da estrela. Este efeito vibracional de longo prazo poderá estar na causa do ligeiro aumento da velocidade de rotação observada durante o período do estudo.

A investigação descobriu que quando Mercúrio começa a girar mais afastado do Sol,  a sua velocidade de rotação diminui. O planeta passa a girar menos 460 metros na sua rotação completa. Mas, inversamente, quando se movimenta mais perto do Sol, Mercúrio acelera a velocidade de rotação e recupera.

Os  investigadores recorrem  também aos cálculos das medições da deslocação de Mercúrio ao longo da sua órbita para inferir informação sobre o interior do planeta, diz Alexander Stark, investigador do Centro Aeroespacial Alemão, do Instituto de Investigação Planetária de Berlim, e autor principal do artigo.

Estes novas medições, quando comparadas com as medições terrestres anteriormente realizadas, mostram que a oscilação de Mercúrio é aproximadamente duas vezes maior do que seria se o planeta fosse completamente sólido, afirmou Margot. Esta nova teoria confirma que Mercúrio tem um núcleo externo líquido, ideia que havia sido lançada nos estudos anteriores, realizados com medições terrestres da rotação do planeta.