Um estudo realizado pela consultora Mercer, que analisou mais de 112 mil postos de trabalho em 307 empresas presentes no mercado português, refere que, em 2015, os salários de cargos de topo e de menor responsabilidade desceram até 1,6%. Cerca de 22% das empresas portuguesas optou por congelar o salário dos seus trabalhadores.

De acordo com o “Total Compensation Portugal 2015”, o maior estudo nacional sobre tendências de compensação e benefícios, a maior descida foi registada nos salários dos cargos de direção e administração (1,6%). No que diz respeito aos cargos de menor responsabilidade, a diminuição foi de 1,38%.

Já nas restantes funções analisadas, foi registado um ligeiro aumento (entre 0,25% e 1,52%). Ainda assim, os valores foram inferiores aos registados em 2014 (entre 1,18% e 1,56%), “perspetivando-se que, em 2016, essa variação se mantenha entre 0,79% e 1,24%”, refere o estudo.

Por outro lado, as funções de chefias intermédias e diretores de primeira linha foram as que obtiveram a maior variação, com um aumento salarial de 1,52% e 0,73%, respetivamente.

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Para Tiago Borges, responsável pela área de estudos de mercado da Mercer, “no que se refere a incrementos salariais por níveis funcionais em Portugal, tem-se observado nas empresas que os mesmos tendem a tornar-se cada vez mais uniformes”. Porém, verifica-se uma tendência cada vez maior de “penalização dos níveis funcionais com maior responsabilidade em períodos de recessão”, acrescentou o responsável em comunicado.

Devido ao ciclo de ajustamento económico que caracterizou os últimos anos, o “Total Compensation Portugal 2015” verificou ainda um número “excecionalmente elevado” (22%) de empresas que congelaram os salários dos seus trabalhadores.

“No entanto, as empresas estão a voltar a praticar, por norma, incrementos salariais positivos, o que reflete a preocupação em recuperar competitividade nas estruturas de remuneração”, refere o estudo.

No que diz respeito ao salário base dos recém-licenciados, o “Total Compensation Portugal 2015” aponta que este se situa, em média, entre os 11.950 e os 18.177 euros anuais. Os números representam um diminuição face ao ano anterior, que registou valores entre os 12.600 e os 8.075 euros.

Mais de metade das empresas pretende manter o mesmo número de trabalhadores

No seguimento da tendência verificada no ano anterior, o número de empresas que pretende aumentar o seu efetivo de colaborados (26%) é superior ao que prevê diminui-lo (14%). Porém, a grande maioria (60%) prevê manter o mesmo número de trabalhadores no decorrer deste ano.

Ainda em relação ao efetivo de colaboradores, o estudo da Mercer estima que 5% dos quadros de topo sejam ocupados por colaboradores expatriados. O grupo dos diretos de primeira linha é o que apresenta o maior número de colaboradores oriundos de outros países (3%).

No que diz respeito aos principais benefícios atribuídos pelas empresas, o plano médico é o mais popular, com 92% das empresas questionadas a disponibilizá-lo aos seus trabalhadores. Seguem-se os seguros de vida, com 74%, e os seguros de acidentes pessoas, com 54%. Em relação ao plano de pensões, este é concedido por 44% das empresas que participaram no estudo.