“Os estabelecimentos de ensino, os professores e os alunos têm um grande potencial para informar, educar e motivar comportamentos mais favoráveis à saúde pública, pelo que os exorto a jogarem um papel preponderante durante esta campanha”, desafiou o secretário de Estado da Saúde, Luís Gomes Sambo.

O governante falava no lançamento da campanha de 2015 de prevenção da sinistralidade rodoviária em Angola, flagelo que é a segunda causa de morte no país, apenas atrás da malária, e a principal origem de incapacidade.

“Vamos prevenir a morte prematura das nossas crianças”, apontou o secretário de Estado, perante dezenas de alunos da escola primária 1056, de Luanda, onde foi feito o lançamento da iniciativa, em colaboração com a Polícia Nacional de Angola.

Esta campanha, que vai prologar-se até dezembro, deverá chegar a todo o país com ações de sensibilização alertando para as principais causas dos acidentes rodoviários no país, que continuam a ser a condução sob o efeito de álcool, o excesso de velocidade e a desobediência das regras, entre outros. As estradas angolanas registaram 3.895 acidentes rodoviários no primeiro trimestre do ano, provocando 973 mortos, um aumento de 27 óbitos face a 2014, divulgou em abril a Direção Nacional de Viação e Trânsito (DNVT).

Desenvolvida em parceria pelos ministérios da Saúde e da Educação, conjuntamente com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a campanha prevê ações nas escolas, envolvendo diretamente as crianças, como forma de “consciencializar” os adultos, alertando-os para comportamentos de risco na estrada e cumprimento das regras de segurança.

O representante para Angola da OMS, Hernando Agudelo, sublinhou que a “violação generalizada das regras de trânsito” e a “falta de consciência dos condutores” está na origem do cenário atual de sinistralidade no país.

“Pedimos às crianças que digam aos adultos que beber e conduzir é perigoso, que o excesso de velocidade é perigoso, queremos que todas as crianças transmitam aos seus pais, amigos, vizinhos, que não devem falar ao telemóvel quando conduziam”, apontou Agudelo.

A campanha envolve ainda a mobilização da Igreja Católica, como forma de multiplicar, durante ações pastorais, os apelos ao cumprimento das regras do código da estrada por parte dos condutores.