A moradia na Rua Abade Faria em que José Sócrates está a viver, em prisão domiciliária, está há muito sob investigação no âmbito da Operação Marquês. Segundo a edição desta sexta-feira do semanário Sol, a habitação que é propriedade de Sofia Fava, ex-mulher de Sócrates, mas cuja compra foi um “negócio estranho”, foi alvo de buscas a 20 de novembro de 2014, na véspera da detenção do ex-líder do Partido Socialista.

Documentação citada pelo semanário sugere que esta casa, onde Sócrates vive há uma semana, poderá ter feito parte do alegado esquema montado pelo ex-primeiro-ministro e pelo amigo Carlos Santos Silva para que este último pudesse reencaminhar capitais que, segundo a investigação, pertenciam a Sócrates mas que estavam nas mãos do empresário. A suspeita é que, à semelhança dacompra de um imóvel no Alentejo, a ex-mulher de Sofia Fava possa ter sido um dos elementos envolvidos neste esquema.

O procurador Rosário Teixeira acredita que há uma relação entre esta moradia e outra casa, na Rua Francisco Stromp, que Sofia Fava vendeu a uma empresa de Carlos Santos Silva, a Gigabeira. Essa casa, um apartamento, terá sido vendida por Sofia Fava por 400 mil euros, uma valor que, segundo o Sol, era o dobro do preço de mercado. Terá sido uma venda fictícia, acreditam os investigadores.

Três quartos desse montante, ou seja, 300 mil euros, destinaram-se “a compensar obras contratadas à Gigabeira, a realizar pretensamente num outro imóvel de Sofia Fava, sito na Rua Abade Faria”, escreve o Sol citando documentação. Essas obras tiveram “um preço declarado de 300 mil euros, pelo que o pagamento realizado se limitou à quantia de 100 mil euros”. Os investigadores estão a escrutinar este negócio “estranho” que envolveu a venda do apartamento na Rua Francisco Stromp e a compra desta moradia, originalmente uma escola, na Rua Abade Faria e as obras de conversão que se seguiram.

Segundo noticiou o Correio da Manhã esta semana, o imóvel terá sido comprado em 2008 e teria três hipotecas a favor da Caixa Geral de Depósitos (CGD) no valor de 800 mil euros. Essas hipotecas terão sido canceladas em março de 2014, numa altura em que o Ministério Público (MP) já estaria a investigar José Sócrates e Carlos Santos Silva.