O Papa Francisco afirmou que tem vontade e que gostaria de visitar Portugal.  Numa entrevista concedida à Radio Renascença, o Santo Padre garantiu, e depois de ter afirmado que nunca conheceu um português mau,  que quer “ir ter com a Virgem”, acrescentando que Fátima faz de Portugal um país privilegiado e que  a “Virgem é mãe, é muito mãe, e a sua presença acompanha o povo de Deus. Por isso gostaria de ir a Portugal, que é privilegiado.”

É mais fácil ir a Portugal, porque podemos ir e voltar num só dia, um dia inteiro, ou, quanto muito, ir um dia e meio ou dois dias. Ir ter com a Virgem. A Virgem é mãe, é muito mãe, e a sua presença acompanha o povo de Deus. Por isso, gostaria de ir a Portugal, que é privilegiado.”

Sobre a crise dos refugiados que está a abalar a Europa, Francisco recorda que estes escapam da fome e da guerra e que a causa é um “sistema socioeconómico mau e injusto” e que o centro desse sistema “tem de ser sempre a pessoa.” E este sistema socioeconómico, hoje em dia, “descentrou a pessoa, colocando no centro o deus dinheiro, que é o ídolo da moda.” Falando das possíveis soluções para esta crise o líder da Igreja Católica é muito claro: “onde as causas são a fome, há que criar fontes de trabalho, investimentos. Onde a causa é a guerra, procurar a paz.”

Onde as causas são a fome, há que criar fontes de trabalho, investimentos. Onde a causa é a guerra, procurar a paz, trabalhar pela paz. Hoje em dia, o mundo está em guerra contra si mesmo, ou seja, o mundo está em guerra, como digo, uma guerra em folhetins, aos pedaços, mas também está em guerra contra a Terra, porque está a destruir a Terra, ou seja, a nossa casa comum, o ambiente. Os glaciares estão a derreter-se, no Árctico, o urso branco vai cada vez mais para o norte para poder sobreviver.”

Em relação à Europa, e como esta poderá responder a esta crise, Francisco relembra que existe outra crise que afeta o mundo inteiro. A da corrupção. E aqui a Europa tem de “voltar a ser mãe.” O Papa aponta que a solução passa pelos políticos jovens. Os políticos jovens “tocam outra música”.

A Europa ainda não morreu. Está meia-avozinha [risos], mas pode voltar a ser mãe. E eu tenho confiança nos políticos jovens. Os políticos jovens tocam outra música. Há um problema mundial, que afecta não só a Europa, mas o mundo inteiro, que é o problema da corrupção. A corrupção a todos os níveis… e isso também revela um baixo nível moral, não é?”

Falando no seu papel como Papa e na popularidade que tem conquistado, Sua Santidade dá o exemplo de Jesus:  “Também Jesus, num certo momento, foi muito popular e, depois, acabou como acabou. Ou seja, ninguém tem garantida a felicidade mundana”. Revelando também que muitas vezes “me pergunto como será a minha cruz, como é a minha cruz… As cruzes existem. Não se vêem, mas estão lá.”

Sobre o que espera dos portugueses, o Santo Padre pede o mesmo que Maria. Ou seja, coisas simples: “Que rezemos, que cuidemos das nossas famílias e dos mandamentos.”

O que a Virgem pede sempre é que rezemos, que cuidemos da família e dos mandamentos. Não pede coisas estranhas. Pede que rezemos pelos que andam desorientados, pelos que se dizem pecadores – todos o somos, eu sou o primeiro. Mas a Virgem pede e há que se preparar através desses pedidos da Virgem, através dessas mensagens tão maternais, tão maternais… e manifestando-se às crianças. É curioso, Ela procura sempre almas muito simples, não é? Muito simples.”

No final da mesma entrevista, o Papa Francisco pediu aos portugueses que rezem por ele.