O presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar (USF-NA) apelou, no Porto, ao Governo para que proceda à “abertura urgente” de um novo concurso de colocação de jovens médicos especialistas em Medicina Geral e Familiar.

O objetivo, segundo explicou, seria “complementar o atual, que é um autêntico desastre, e garantir a contratação de todos os médicos de família, evitando o desperdício destes jovens e evitando a ‘implosão’ de Unidades de Saúde Familiar”.

Bernardo Vilas Boas falava numa conferência de imprensa que contou também com o presidente da secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, de um responsável da Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e de dezenas de jovens médicos de família.

O presidente da USF–NA considerou que “este concurso é mais um exemplo de ausência de uma verdadeira política, de estratégia, de gestão e valorização dos recursos humanos na saúde”.

O responsável defende “um concurso nacional, com regras iguais para todos, conduzido centralmente e com mapas de vagas adequados a nível nacional, regional e local levando em consideração nos seus critérios o local de formação dos médicos”.

“É fundamental que se mantenha a aposta nas unidades de saúde familiar e que seja respeitado o princípio da escolha mútua da equipa e do profissional. A criação e desenvolvimento das unidades de saúde familiar foi, até hoje, a melhor resposta e a resposta de qualidade para que cada cidadão e cada família em Portugal tenham um médico de família”, sublinhou.

Dados divulgados pelo responsável da FNAM referem que, no Norte, existiam “cerca de 386 mil utentes” sem médico de família. Formaram-se “102 especialistas em Medicina Geral e Familiar”, em março. De imediato, a ARS do Norte atribuiu listas de utentes a estes 100 especialistas, ficando assim “cerca de 182 mil cidadãos sem médico de família”.

Nem todos os 100 candidatos (dois desistiram) vão conseguir vaga, na medida em que apenas foram disponibilizadas 74.

“Ou seja, um número considerável de 26 médicos vai ter de sair de uma região onde não faltam utentes sem médicos de família e vão ter que rumar a outra região”, disse, desafiando “o Ministério da Saúde, seja qual for, a disponibilizar aos profissionais e aos cidadãos os dados sobre onde há médicos de família onde é que faltam, quais são as unidades que tem carências e aquelas que estão supridas em relação aos recursos humanos”.

O presidente da secção regional do Norte da Ordem dos Médicos, lamentou que no dia em que se assinalam 36 anos do SNS “os concursos médicos continuem a não ser transparentes, a ter desigualdades nos critérios e a funcionar em tempos diferentes”.

“Como consequência imediata deste concurso, cerca de 50 mil utentes vão ficar sem médico de família, 16 unidades de saúde familiar vão ter muitas dificuldades no seu funcionamento e algumas delas correm o risco de encerrar e 28 médicos jovens especialistas em medicina familiar estão a ser empurrados para fora do SNS”, disse.

Miguel Guimarães apelou também “ao bom senso do ministro da Saúde, no sentido de corrigir de imediato e contratar com caráter de urgência todos os médicos que estão na iminência de sair do SNS”.

De acordo com a Ordem dos Médicos/Norte, no concurso determinado pelo despacho 5471-A/2015, quase três dezenas de jovens médicos de família, que desde há cerca de 6 a 18 meses asseguram listas de 1900 utentes em centros de saúde da ARS do Norte, vão ficar excluídos do SNS.

A Lusa tentou obter mais esclarecimentos junto da ARS/Norte, mas sem sucesso.