A acção do Homem e as alterações climáticas estão gradualmente a provocar a destruição de habitats e ecossistemas. Um dos mais ameaçados, e talvez o mais conhecido, é o ecossistema dos grandes recifes de coral, que fica num dos destinos turísticos por excelência do mundo: as Caraíbas.

A  revista PLoS ONE publicou há dois anos uma primeira lista que serviu como padrão para a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) desenvolver uma lista semelhante à que existe actualmente para as espécies de animais e plantas. Neste caso, a categoria extinta é definida como “colapso”, ou seja, um ecossistema de grande valor que é impossível que volte ao seu estado original.

Conheça na lista que se segue, divulgada pelo  jornal El País a lista detalhada com os dez ecossistemas mais ameaçados, segundo os primeiros estudos da IUCN, desde aquele que está considerado em vias de colapso (Aral)  aos criticamente ameaçadas (os restantes nove).

1. Mar de Aral 

O Mar de Aral é, na verdade, um grande lago de água salgada numa região da Ásia Central entre o Uzbequistão e o Cazaquistão. Mar de Aral significa, literalmente mar das ilhas, e era assim designado pelo  número de ilhas que existiam no leito que chegou  a ultrapassar os 67.000 km2.  Atualmente, o mar tem apenas 10% da área original. Os especialistas consideram a recuperação deste este ecossistema irreversível. O mar perdeu a sua biodiversidade original, incluindo 28 espécies endémicas de peixes. A desertificação, a salinidade e a utilização intensiva de pesticidas nas plantações de algodão das margens deste mar também têm contribuído para a degradação do habitat.

2. Florestas de acácias na bacia do Rio Senegal

A utilização intensiva da água, através de represas, a agricultura intensiva e sobrepastoreio estão a destruir anos de convivência pacífica entre a biodiversidade e as comunidades indígenas da bacia do rio Senegal. Nas escassas várzeas férteis da bacia – que se estende através do Senegal, Mali e Mauritânia – crescem florestas de acácias (Acacia nilotica) que estão em risco. As comunidades indígenas alternavam a utilização agrícola e pecuária dos solos, com períodos anuais de cheias e secas. Mas actualmente, até as aves granívoras que ajudavam à manutenção deste equilíbrio estão a desaparecer, o que provoca o deslocamento forçado de milhares de indígenas e problemas de saúde.

3. Turfeiras da Renânia 

As turfeiras são um tipo de solo, composto de turfa, com depressões, áreas alagadas e pequenos montes. São áreas cheias de biodiversidade e que acumulam biomassa morta. Esta acumulação de biomassa funciona como um grande reservatório de carbono, pelo que a sua destruição gradual liberta grandes quantidades de gases de efeito estufa. A Comissão Europeia,  no contexto da  lista elaborada pela rede Natura 2000, alertou para o risco de desaparecimento das turfeiras de Hunsrück e Eifel na região da Renânia, na  Alemanha, onde várias espécies de fauna e flora já se tornaram raras, alertando para a necessidade da sua conservação.

4. Matas de vegetação “fynbos” do Cabo 

O fynbos é um tipo de vegetação comum da região do Cabo na África do Sul.  O nome de origem holandesa significa “as plantas com folhas finas”. Corresponde às matas de arbustos que compõem o chamado Reino Floral do Cabo (Cape Floral Kingdom) e que se estende pelas falésias desta região sul-africana. Neste tipo de vegetação encontram-se até 8.500 espécies de plantas vasculares (nas Ilhas Britânicas há 1.400), 70% das quais correspondem a fynbos endémico. A expansão urbana, os incêndios florestais e a agricultura ameaçam estas matas de arbustos pela destruição direta do habitat e a invasão de espécies exóticas (no sentido de não endémicas) de plantas e animais .

5. Lagoa de Coorong e estuário do Rio Murray 

A zona de confluência dos rios Murray e Darling, na região de Wentworth, na Austrália, é dos ecossistemas mais ameaçados do mundo. Parte deste habitat natural foi declarado como parque nacional e o seu reconhecimento como uma zona húmida de importância internacional (pela Convenção de Ramsar) salvou-o  da destruição.  No entanto, apenas se mantém intacta 10% da superfície original.  Inúmeroas organizações de conservação da natureza continuam a alertar para um doos principais problemas ambientais da região: a drenagem dos pântanos em favor dos terrenos agrícolas.

6. Nascentes cársticas do sul 

Os sistemas cársticos são relevos geológicos que se formam pelo fenómeno de corrosão das rochas, maioritariamente rochas calcárias. As Piccaninnie Karst Lagoas Wetlands, localizadas na costa sul da Austrália, correspondem a um fenómeno geológico deste tipo. São 862 hectares de sistemas cársticos muito importantes para a comunidade científica, com formações rochosas e turfa causadas por águas subterrâneas. A necessidade de protecção deste habitat húmido levou-o à sua inclusão na Convenção de Ramsar.

7. Pântanos costeiros da bacia de Sydney 

A bioregião da bacia Sydney, um dos um dos ecossistemas mais peculiares da Austrália, está ameaçada devido à construção, à mineração de carvão, aos efeitos da alterações climáticas e à invasão por espécies exóticas. A própria Secretaria de Meio Ambiente e Património de Nova Gales do Sul, onde se insere esta região, reconhece as ameaças. A secretaria lembra que nos últimos 200 anos perderam-se ou degradaram-se 60% das zonas húmidas costeiras que embelezavam e faziam parte deste habitat. Em especial, as planícies aluviais costeiras da meseta de Hawkesbury.

8. Pântanos do estuário de Murray-Darling 

O estuários da confluência dos rios Murray e Darling formam uma bacia gigante crucial para o abastecimento de água da área mais populosa da Austrália (Adelaide, Melbourne e Sydney). Neste estuário regista-se um dos  mais altos níveis de biodiversidade associada com zonas húmidas, florestas e lagos, que tem sido vítima da relação conflitual entre as necessidades humanas (incluindo a exploração de terrenos agrícolas e ambientais. O excesso de regulamentação e de exploração da água levou à remoção de vegetação natural e seca temporária de extensões do rio Murray, o que provocou o aumento do grau de salinidade, interferindo com o abastecimento de água para consumo humano.

9. Bosques de algas submarinas do Alasca 

As águas costeiras do Alasca, nos Estados Unidos da América, são um dos ecossistemas mais ricos do planeta. Não só são ricas em muitas espécies  de peixes (incluindo peixes explorados comercialmente), como em bosques de algas submarinas – também conhecidas por ‘florestas de kelp’, compostas por algas marinhas densas (Laminaria.  Estas algas desempenham um papel fundamental na absorção de dióxido de carbono e funcionam como ‘travão’ para as ondas mais fortes. No entanto, a sobrepesca, fenómenos climáticos como o El Niño e a poluição (como o derrame de petróleo da Exxon Valdez, em 1989) destroem a cadeia alimentar (afeta principalmente as lontras do mar) e têm permitido uma sobrepopulação de ouriços do mar que devoram as algas.

10. Recifes de coral das Caraíbas 

A pressão demográfica está a contribuir para que dois terços dos recifes estejam diretamente ameaçados por atividades humanas. Mais de 116 milhões de pessoas vivem na costa do Mar do Caribe, aos quais acrescem 20 milhões de turistas por ano. A pressão do turismo, da agricultura intensiva, a sobrepesca e as mudanças climáticas têm contribuído para pôr em perigo este ponto único da biodiversidade terrestre.