Os Estados Unidos, o Reino Unido e a França ignoraram uma proposta da Rússia em 2012 que envolvia a saída de Bashar al-Assad do poder na Síria, por acreditarem que o Presidente sírio estaria prestes a cair, revelou o ex-presidente finlandês e nobel da paz Martti Ahtisaari ao jornal inglês The Guardian.

Em entrevista ao jornal inglês, o finlandês revela que esteve em negociações com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas em fevereiro de 2012 e que durante essas negociações o embaixador russo Vitaly Churkin apresentou uma proposta com três partes que envolvia a destituição de Bashar al-Assad.

O Presidente da Síria sairia do poder como parte de um acordo de paz com as potências mundiais, a determinada altura das negociações entre o regime e a oposição.

Segundo o finlandês, os EUA, o Reino Unido e a França rejeitaram a proposta porque acreditavam que Assad estaria prestes a ser destituído.

Martti Ahtisaari revela a conversa tida com Vitaly Churkin, com quem diz que não concorda muitas vezes mas com quem tem uma relação franca, e o russo explicou-lhe o seu plano.

“Ele disse três coisas: Primeiro – não devemos dar armas à oposição. Segundo – temos de conseguir um diálogo entre a oposição e Assad rapidamente. Terceiro – devíamos encontrar uma forma elegante de Assad sair”, disse o finlandês.

Martti Ahtisaari explica que, apesar de a Rússia ter estado oficialmente do lado de Assad e insistido que a saída do Presidente não poderia ser condição de qualquer acordo de paz, o embaixador tinha acabado de regressar de Moscovo, e por isso teria o apoio do Kremlin para fazer essa proposta. Para não ter dúvidas da proposta, o finlandês diz que voltou a falar com o embaixador e perguntar-lhe qual era a sua proposta, e Churkin insistiu na saída de Assad do poder.