O ex-juiz espanhol Baltasar Garzon vai liderar uma nova candidatura de um grupo de movimentos de esquerda às eleições legislativas espanholas previstas para dezembro deste ano, um grupo que pretende ser uma alternativa ao movimento de esquerda Podemos.

Segundo o jornal espanhol El Confidencial, o movimento tem uma vocação claramente de esquerda, socialista e federal, e avança porque o grupo não se identifica com movimentos como o Podemos e o Ahora en Común, que deve concorrer coligado com o Podemos.

O antigo juiz tem ao seu lado alguns pesos pesados da esquerda espanhola, como é o caso de Gaspar Llamazares, membro do Partido Comunista espanhol e líder da coligação Esquerda Unida entre 2001 e 2008, e Cristina Almeida, a histórica ativista pelos direitos da mulher que já foi membro do Partido Comunista, da Esquerda Unida, da Nova Esquerda e dos socialistas do PSOE.

O mesmo jornal aponta que alguns movimentos ligados ao Podemos e ao PSOE, que não se reveem nas candidaturas dos dois partidos, poderão juntar-se ao grupo de Baltasar Garzon, antes ou depois das eleições legislativas de dezembro, advogando a necessidade de uma alternativa à esquerda a estes dois partidos.

Baltasar Garzon saltou para a ribalta quando em 1998 emitiu um mandado de detenção do antigo ditador chileno Augusto Pinochet pela alegada tortura e morte de cidadãos espanhóis. Apesar de o Reino Unido ter recusado a extradição, foi a primeira vez que um antigo chefe de governo foi detido ao abrigo da jurisprudência internacional.

O espanhol, que teve a seu cargo os principais casos de terrorismo e corrupção enquanto juiz, foi suspenso de qualquer atividade ligada à justiça em Espanha durante onze anos em 2012, depois de um tribunal o considerado culpado de ter ordenado a colocação de escutas ilegais num caso de corrupção de grandes proporções em que está envolvido o PP espanhol, agora no Governo.