O Presidente chinês, Xi Jinping, considera que a China terá de se abrir mais ao exterior para revitalizar a sua economia, que deve registar este ano o crescimento mais baixo do último quarto de século (7%).

“A China deve empenhar-se na atração de investimento e tecnologia estrangeira e aperfeiçoar os instrumentos de abertura ao exterior”, disse Xi durante uma reunião com o grupo do Partido Comunista da China (PCC) encarregue do aprofundamento das reformas.

As medidas incluem a atração de talentos estrangeiros, menor controlo fronteiriço, e uma abertura das empresas estatais ao capital privado e à propriedade mista, escreve hoje a agência oficial chinesa Xinhua. “O objetivo é atribuir ao mercado um papel decisivo na alocação de recursos, construir um ambiente de negócios transparente e promover a abertura do país”, revela a agência.

Na segunda-feira, a Comissão Para a Supervisão de Ativos do Estado anunciou um plano de reforma, visando que os grupos estatais sejam “independentes e responsáveis pelos ganhos, perdas e riscos”. As empresas do Estado detêm um papel central no modelo económico assente no investimento em obras públicas, que tem assegurado o crescimento da China num período de estagnação global, mas que é agora denominado pela liderança do país como “insustentável”.

Na semana passada, um relatório da câmara do comércio da delegação da União Europeia em Pequim refere que “as adversidades da economia chinesa só poderão ser superadas se as autoridades corrigirem os seus velhos métodos”. “O Governo chinês deve evitar as suas tendências protecionistas, que continuam a restringir o acesso legítimo ao mercado”, lê-se no relatório a que a Agência Lusa teve acesso.

Dois anos após a liderança chinesa ter reconhecido o “papel decisivo do mercado” na vida económica do país, o documento refere que existem “avanços, mas também recuos”, e aponta a ausência do primado da Lei e a excessiva intervenção governamental como os principais obstáculos à reforma económica no país.