Os líderes da União Europeia vão reunir-se na próxima quarta-feira em Bruxelas numa cimeira extraordinária convocada esta quinta-feira pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, após insistência da Alemanha e da Áustria.

No início da semana os ministros do interior da União Europeia reuniram-se em Bruxelas para debater o tema da distribuição territorial de 120 mil refugiados. Mais uma vez, os responsáveis europeus não conseguiram chegar a acordo.

Depois disso, alguns países, em especial a Hungria, fecharam as suas fronteiras para tentarem controlar o fluxo de refugiados de países em conflito, em especial da Síria e da Líbia. O caso da Hungria é ainda mais grave já que colocou em vigor uma nova lei que prevê a detenção de qualquer pessoa que tente entrar no país de forma ilegal e estes podem ser alvo de penas de prisão até cinco anos.

A decisão da Hungria levou a uma reorientação do fluxo de refugiados desse país para a Croácia, que está agora a receber pessoas que fogem destes países à procura de uma vida melhor em níveis recorde. Um pouco por toda a Europa o resultado é o mesmo, com as entradas a aumentarem de dia para dia e as previsões para as chegadas este ano a serem constantemente revistas em alta, e significativamente.

O chanceler austriaco, Werner Faymann, tem sido dos mais críticos da falta de acordo a nível europeu e da posição da Hungria, alertando que, na sua opinião, isto pode destruir a Europa. Do lado da Alemanha as críticas são muitas, com o ministro do Interior a defender sanções para os países que não aceitem as quotas, como o corte de fundos estruturais, e o vice-chanceler, Sigmar Gabriel, a afirmar que a Europa está a envergonhar-se a si mesma.

Werner Faymann e Angela Merkel, dois dos líderes que defendem que a solução tem de ser europeia, ligaram mesmo a Donald Tusk a pedir uma cimeira extraordinária para debater a questão. Tusk ficou de explorar a hipótese e hoje fez chegar a convocatória aos chefes de governo da União Europeia.

No dia 23 de setembro, na próxima quarta-feira, os líderes europeus estarão em Bruxelas para debater novamente esta questão, depois de meses sem acordo na questão das quotas.