A Hungria declarou o “estado de emergência” em duas províncias vizinhas da Croácia, depois de alguns refugiados do Médio Oriente passarem esta quinta-feira a fronteira húngara através daquele país.

Budapeste já tinha declarado há dois dias o “estado de emergência” em duas províncias vizinhas com a Sérvia, devido à chegada de milhares de refugiados.

O estado de emergência durará meio ano (com a possibilidade de ser prolongado) e durante aqueles seis meses o Governo pode intensificar o controlo nas fronteiras.  A tarefa de registar os pedidos de asilo será assumida pelas forças de defesa e segurança.

Uma centena de refugiados entrou esta quinta-feira na Hungria a partir da Croácia através da província de Baranya, perto da localidade de Illocska. O portal de notícia Index assegura que os refugiados, que atravessaram a fronteira sem o querer (já que o que pretendiam era chegar à Eslovénia), foram expulsos do país.

O chefe da diplomacia húngara assegurou esta quinta-feira que a Hungria vai construir uma vala na fronteira com a Croácia, como fez com a Sérvia.

Cerca de 9.000 refugiados chegaram esta quinta-feira à Croácia provenientes da Sérvia.

Eslovénia detém comboio de refugiados

Também a Eslovénia deteve esta quinta-feira um comboio com refugiados junto à fronteira com a Croácia, na passagem fronteiriça de Dobova, a oeste da capital croata, Zagreb.

A polícia eslovena mandou parar um comboio com cerca de 250 refugiados, vindos do Médio Oriente. Outros grupos de migrantes chegaram pela estrada ao posto fronteiriço croata de Bregana, mas ainda não puderam entrar na Eslovénia, segundo a televisão pública eslovena TvSlo.

O Governo esloveno declarou esta quinta-feira que “não permitirá a criação de um corredor para refugiados” no território do país, e acrescentou que o país está empenhado em proteger as fronteiras de Schengen.

As autoridades eslovenas anunciaram que devolverão à Croácia todos aqueles que não pedirem asilo na Eslovénia ou os que tentem passar a fronteira ilegalmente e sem documentos.

A imprensa online eslovena publicou fotos com migrantes sírios sentados na estrada, com cartazes em que se lê “Somos apenas refugiados”, “Queremos paz” e “Deixem-nos passar”.

Embora Estado membro da União Europeia, a Croácia não faz parte do espaço Schengen, ao contrário da Eslovénia.

Itália disponível para abrir centros de acolhimento

Já a Itália manifestou-se nesta quinta-feira disponível para abrir centros de refugiados no País. O primeiro-ministro, Matteo Renzi, afirmou que “a Itália está pronta para fazer a sua parte em termos de política europeia e em matéria de gestão da migração”.

Porém, o primeiro-ministro italiano defendeu que isso deve ser feito em paralelo com medidas conjuntas da Europa, que “incluam políticas de admissão e distribuição equitativa dos que chegam ao território europeu”

Renzi fez ainda críticas às políticas da Hungria no acolhimento dos refugiados, dizendo que: “a Europa deve derrubar muros, não construí-los. Se atualmente há países que fazem parte da União Europeia é porque houve outros que derrubaram muros para o bem-estar, liberdade e futuro”.

O primeiro-ministro italiano falava numa conferência de imprensa conjunta com o Presidente francês, François Hollande, depois de um encontro para discutir a crise migratória na Europa.