Até 3,5 milhões de postos de trabalho na União Europeia (UE) ficarão em risco se Bruxelas conceder à China o estatuto de “economia de mercado”, no âmbito da Organização Mundial de Comércio. O aviso consta de um estudo, divulgado esta sexta-feira, que foi encomendado pela indústria europeia ao instituto de pesquisa norte-americano Economic Policy Institute.

A UE é o maior parceiro comercial da China e a China o segundo maior da UE mas, apesar destes factos, a China não é reconhecida como uma “economia de mercado” pela UE. Até ao final do próximo ano, contudo, é provável que haja uma decisão sobre se esta situação se mantém ou se Pequim poderá, como exige há vários anos, subir de estatuto e passar a gozar de maiores direitos no momento de exportar os seus produtos para a Europa.

Esse estatuto tornaria, por exemplo, mais difícil abrir processos de dumping (venda ilegal de produtos abaixo do preço de produção para eliminar a concorrência) contra empresas chinesas, avisa o documento. O estudo do Economic Policy Institute alerta que se o estatuto for concedido à China, como defendem, por sinal, alguns responsáveis em Bruxelas, essa decisão irá “limitar a capacidade da União Europeia de impor tarifas sobre bens que chegam à Europa por dumping, o que permitirá às empresas chinesas prejudicar a produção doméstica ao inundar a UE com produtos baratos“.

sete setores industriais que iriam sentir dificuldades graves, pode ler-se no estudo. São eles a indústria de peças para automóveis, papel, aço, cerâmica, vidro, alumínio e produção de bicicletas. Entre 1,7 milhões e 3,5 milhões de postos de trabalho ficariam em risco e o PIB da Europa diminuiria em 114 mil milhões e 228 mil milhões de euros.

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É com estes argumentos que representantes dos maiores sindicatos da indústria europeia, incluindo a AEGIS Europe, estão a fazer lóbi junto da Comissão Europeia. Segundo o Politico, tem havido contactos intensos esta semana entre lobistas da AEGIS, eurodeputados e conselheiros de Jean-Claude Juncker, o presidente da Comissão Europeia que no seu recente discurso de “Estado da União” reafirmou o seu empenho em relação à criação de emprego na Europa.

Quem também estará, segundo o Politico, a fazer pressão para que não seja reconhecido este estatuto à China é o embaixador dos EUA, Anthony Gardner, que já terá escrito a Juncker a dizer que, se isso acontecer, poderá perturbar as negociações para o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento entre a União Europeia e os Estados Unidos da América (TTIP), que o Observador explicou aqui.