A Eslovénia anunciou ter suspendido, pelo menos até esta sexta-feira à noite, o tráfego ferroviário com a Croácia, sublinhando que não pretende facilitar a entrada no seu território de migrantes que já começam a chegar à sua fronteira.

Numa declaração para a televisão na noite de quinta-feira, o primeiro-ministro Miro Cerar declarou que a Eslovénia só deixará entrar “os que corresponderem aos critérios da União Europeia”.

O país determinou que, pelo menos até esta sexta-feira à noite, vai parar todas as suas ligações ferroviárias com a vizinha Croácia, onde 13.000 migrantes chegaram desde quarta-feira à procura de uma nova via de acesso para o oeste da Europa, depois do encerramento da fronteira húngara na terça-feira.

Um primeiro grupo de 150 migrantes, que chegou de comboio durante a noite a partir de Zagreb, foi intercetado numa cidade de fronteira eslovena de Dobova.

Depois de tentar reenviá-los para a Croácia, as autoridades eslovenas transportaram-nos para um centro de acolhimento, “enquanto se aguarda um acordo para proceder ao retorno (dos migrantes) para a Croácia”.

A Eslovénia reforçou a presença policial na sua fronteira, nomeadamente em Obrezje, a principal rota em autoestradas entre os dois países, em que pequenos grupos de migrantes chegaram pela manhã, relatou um jornalista da agência de notícias AFP.

Alguns quilómetros mais a norte, dezenas de polícias eslovenos vigiam a pequena passagem fronteiriça de Dobova, segundo uma fonte.

Na localidade croata de Harmica, dezenas de migrantes estão reunidos com a esperança de encontrar um meio de atravessar a fronteira e entrar na Eslovénia.

UE registou mais de 210 mil novos pedidos de asilo, principalmente de sírios

No segundo trimestre de 2015, a União Europeia (UE) registou 213.200 novos pedidos de asilo, um aumento de 85% face ao período homólogo de 2014 e de 15% face ao entre janeiro e março, segundo o Eurostat.

De acordo com o gabinete oficial de estatísticas da UE, o maior número de novos pedidos de asilo no segundo trimestre do ano vieram de sírios (43.995, 21% do total), seguindo-se afegãos (26.995, 13% do total da UE) e albaneses (17.665, 8% do total).

A Alemanha é o país que maior número de pedidos recebeu entre abril e junho, num total de 80.935, em primeiro lugar de oriundos da Síria (16.335), seguindo-se de nacionais da Albânia (15.445) e do Kosovo (7.475).

A Hungria é o segundo Estado-membro com mais novos pedidos (32.675), sendo o primeiro país de origem o Afeganistão (13.640), seguindo-se a Síria (8.440) e o Paquistão (2.665).

A Áustria, com 17.395 novos pedidos de asilo, está no terceiro lugar, sendo a Síria o principal país de origem (5.290), seguida do Afeganistão (4.040) e do Iraque (2.795).

Portugal, por seu lado, recebeu, no período considerado, 250 novos pedidos de asilo, a maior parte dos quais de oriundos da Ucrânia (120), seguindo-se o Mali (30) e China (25).

Até junho, cerca de 592.000 pessoas introduziram um pedido de asilo num Estado-membro da UE, mais 227.000 do que entre janeiro e junho de 2014, quando foram apresentados cerca de 365.00 pedidos.

A Alemanha é o país que, desde o início do ano, mais pedidos recebeu (305.000, 52% do total da UE), seguindo-se a Suécia (56.000, 9%), a Itália (48.300, 8%), a França (36.100, 6%), o Reino Unido (29.400, 5%) e a Grécia (29.200, 5% do total da UE).