Em entrevista publicada este sábado pelo jornal El Mundo, o guarda-redes Iker Casillas admitiu que os seus primeiros dias no FC Porto foram como o primeiro dia de aulas numa escola. “Estava nervoso, era a primeira vez que vivia uma apresentação. (…) Quando comecei no [Real] Madrid, era o terceiro guarda-redes. Os meus companheiros lesionaram-se e fui jogar, mas nunca me apresentaram”, explica.

Casillas diz que a sua chegada ao clube português foi tranquila: “A minha chegada foi fácil porque havia espanhóis e evitas a vergonha com aquilo que conheces. As pessoas aqui são jovens, estavam quase mais envergonhados que eu”.

No seu segundo dia no clube nortenho, o jogador fez um discurso para os seus companheiros.

“Queria que entendessem que vinha uma pessoa humilde, que conseguiu tudo à base de trabalho, que ninguém se sentisse coibido pelo meu estatuto internacional. Quero que em Portugal me vejam como sou, não como os outros dizem que sou”, conta.

Questionado sobre as diferenças entre o FC Porto e o Real Madrid, Casillas diz que nos dragões o ambiente é mais familiar. “A dimensão é muito mais humana, familiar, mas de profissionalismo absoluto. Todos remam na mesma direção para que eu e o Porto estejamos o melhor possível e que isto seja transmitido para o terreno de jogo. O fator humano é muitas vezes o que te permite render.”

Esta dimensão familiar ficou evidente pela presença do filho de Casillas durante a sua apresentação aos adeptos no Estádio do Dragão, conforme destacou o El Mundo.

“Foi uma forma de transmitir que queremos ter um vínculo. O meu filho vai estar vários anos [em Portugal] e quero que aprenda português. Era importante para mim que estivesse neste dia, mesmo que não se vá lembrar de nada”, conta.

Casillas garante que o seu filho voltará à relva: “Quando comemorarmos algum título”.

O jogador espanhol afirma que quer fazer parte da história do FC Porto com humildade. “Venho de uma equipa que é ‘a equipa’. Com letras maiúsculas. E chego a um clube de cuja história também quero fazer parte, mas fazendo as coisas como se faz no FC Porto, adaptando-me à sua filosofia. Com modéstia e humildade conseguiram muitos êxitos. (…) O FC Porto é uma grande equipa e começo do zero. É um desafio voltar a sentir-me importante”, afirma.

Sobre o passado, o jogador espanhol é cauteloso. “Nunca falarei mal do [Real] Madrid nem do seu presidente [Florentino Pérez]. O clube ensinou-me valores, uma forma de atuar e deu-me uma educação. Agora seria fácil criticar, contar muitas coisas que vivi, mas seria cobarde porque não falei no momento. Se houve problemas, tratei-os com os interessados”. E conta a sua estratégia: “Qualquer declaração que faça, será submetida a mil interpretações e debates. Por isso, permaneço numa linha de tranquilidade e prudência e não digo mais do que uma palavra”.

O único assunto que escapa da sua cordialidade é a invasão de privacidade à sua família em Espanha. Garante que em Portugal, a esse nível,  é “tudo mais fácil”.

O guarda-redes do FC Porto diz que nunca teve problemas com Cristiano Ronaldo durante o tempo em que vestiram a mesma camisola. “Cristiano é uma pessoa muito sincera. Tem o seu temperamento e o seu caráter e não se tem saído mal. Conheço-o há seis anos e o tratamento tem sido maravilhoso. É sincero e por isso a nossa relação sempre foi magnífica”, assegura.

Casillas fez toda a carreira no Real Madrid, ao serviço do qual venceu três Ligas dos Campeões, um Mundial de clubes, duas Taças Intercontinentais, duas Supertaças Europeias, cinco Ligas espanholas, duas Taças do Rei e quatro Supertaças de Espanha.

Já ao serviço da seleção espanhola, conquistou dois Europeus (2008 e 2012) e um Mundial (2010).