A greve de funcionários dos Correios no Brasil está a afetar a chegada de boletins de voto para portugueses e, em São Paulo, nenhum dos eleitores havia recebido a carta até segunda-feira, informou o Consulado Geral naquela cidade.

São Paulo é o maior colégio eleitoral fora de Portugal e, somado com a cidade de Santos, no litoral, tem mais de 75 mil recenseados para as próximas eleições legislativas, o equivalente a 42% dos 180 mil eleitores do círculo eleitoral fora da Europa.

Os portugueses recenseados fora do país poderão votar nas eleições Legislativas apenas através dos boletins, que chegam pelo Correio, devem ser enviados preenchidos com o voto, pela mesma via, e têm de chegar a Portugal até 14 de outubro.

A paralisação parcial dos Correios no Brasil começou no último dia 16 em 18 das 36 bases sindicais do setor no país, incluindo as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte (em Minas Gerais), Manaus (no Amazonas), Salvador da Baía, e municípios de outros nove estados.

O Consulado Geral de Portugal em São Paulo informou que a greve afetou a chegada dos primeiros boletins, prevista para o final da semana passada ou início desta.

O atraso causou insegurança nos portugueses recenseados e, segundo a representação diplomática, a linha telefónica e o e-mail disponibilizados para tirar dúvidas sobre o processo de votação estão a receber muitos contactos.

A recomendação do consulado para os recenseados é a de que votem o mais rápido possível, assim que os boletins chegarem às suas casas, para evitar que o envio de volta seja influenciado pela greve. A mesma recomendação foi feita no Facebook do consulado português no Rio de Janeiro.

“Face à greve dos correios no Rio de Janeiro, recomenda-se que, assim que receber o seu boletim, o que deverá ocorrer nos próximos dias, envie o seu voto e a correspondência eleitoral de imediato para Portugal, seguindo as instruções contidas na carta inclusa”, afirma o consulado.

O empresário Jorge Rosmaninho, 65 anos, secretário do Partido Socialista (PS) em São Paulo e número dois da lista do partido do círculo Fora da Europa, criticou o atraso. “Estamos a achar esquisito. Era para chegar a partir do dia 06 de setembro. Dizer que é só a greve é muito fácil, deve ter sido algo que ocorreu eu Portugal e se acumulou com a greve”, afirmou.

Rosmaninho, que vive há 50 anos no Brasil, criticou o sistema de votação pelo correio e defendeu que a eleição seja realizada de forma presencial, em associações da comunidade.

Os Correios do Brasil afirmam que a greve está concentrada na área de distribuição de cartas, mas que apenas 10,12% do efetivo de funcionários aderiu à paralisação, segundo dados divulgados na segunda-feira.

Nos locais onde há paralisação, a correspondência está a ser entregue, mas atrasada, segundo os Correios. A estimativa para a regularização da distribuição postal é de dois dias.