Os dirigentes da União Europeia deverão comprometer-se a doar mais mil milhões de euros às agências das Nações Unidas que apoiam refugiados nos países vizinhos da Síria, segundo um projeto de declaração da cimeira extraordinária desta noite.

Segundo a agência France Presse, que consultou o documento, os 28 Estados-membros pretendem “responder às necessidades urgentes dos refugiados na região apoiada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas, Programa Mundial Alimentar e outras agências com pelo menos um milhão de euros”.

A chanceler alemã, Angela Merkel, à chegada da reunião em Bruxelas defendeu a necessidade de “atacar os problemas na raiz: combater a fome nos campos de refugiados”, enquanto o primeiro-ministro britânico, David Cameron, referiu a ajuda financeira para garantir a alimentação e proteção nos acampamentos para evitar que mais pessoas “façam o périplo muito difícil e perigoso para a Europa”.

“É na Turquia, Jordânia e no Líbano que as ajudas devem ocorrer” rapidamente para evitar que os refugiados não corram risco de vida numa deslocação para a Europa, acrescentou o presidente francês, François Hollande.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, numa conferência de imprensa ao início da tarde, recordou os fundos quase duplicaram desde maio, passando de 4,6 mil milhões para 9,5 mil milhões de euros.

“Mas hoje vamos ainda mais longe: mais 100 milhões para um fundo de ajuda de emergência para os Estados-membros mais afetados, mais 600 milhões de euros para as agências europeias em 2016, mais 200 milhões de euros para o Programa Mundial contra a Fome em 2015 e mais 300 milhões para apoio humanitário em 2016”, afirmou.

Junker acrescentou ainda mais fundos para países vizinhos, de cerca de mil milhões para a Turquia e 700 milhões de euros para a Sérvia e Macedónia.

A Comissão Europeia propôs-se hoje a mobilizar 1.700 milhões de euros suplementares para fazer face ao afluxo de refugiados.

Também à chegada, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, garantiu “não culpar ninguém pela crise dos refugiados”, incluindo os alemães, com quem se deve cooperar, por estarem “numa situação difícil”.

Um dos principais críticos do mecanismo de recolocação de refugiados proposto pelo executivo comunitário garantiu não ter no seu país “fronteiras seladas” e lembrou estar em vigor o acordo Schengen, que é “uma lei”.

O recentemente reeleito primeiro-ministro grego, Alexos Tsipras, afirmou apenas que a União Europeia deve, “primeiro que tudo, partilhar responsabilidades, fardos e capacidades e um futuro comum”.