Martin Winterkorn demitiu-se esta quarta-feira depois da polémica recente sobre a manipulação grosseira dos testes feitos nos EUA às emissões poluentes em vários dos seus modelos movidos a gasóleo. O responsável publicou um comunicado em que se diz “chocado pelos acontecimentos dos últimos dias”.

Um dos conselhos de supervisão do grupo esteve esta quarta-feira reunido e, como a imprensa alemã já tinha adiantado, não restou alternativa a Winterkorn que não a demissão.

“Estou chocado com os acontecimentos dos últimos dias. Acima de tudo, estou espantado que uma conduta imprópria desta dimensão tenha sido possível no Grupo Volkswagen”, começa por dizer o experiente gestor alemão no comunicado divulgado há poucos minutos.

Winterkorn assume responsabilidades mas recusa conhecimento do que se passava. “Como presidente-executivo, assumo a responsabilidade pelas irregularidades que foram encontradas nos motores diesel e, portanto, pedi ao Conselho de Supervisão que chegue a um acordo com vista à cessação das minhas funções”.

A decisão é tomada “para defender os interesses da empresa, ainda que eu próprio não tenha qualquer conhecimento acerca da conduta imprópria” em causa, garante o responsável.

Mas “a Volkswagen necessita de um novo começo – também em termos de pessoal”. “Estou a abrir caminho, com a minha demissão, para este novo começo”, escreve Winterkorn.

O gestor conclui dizendo que “o processo de clarificação e transparência irá continuar. Esta será a única forma de reconquistar a confiança. Estou convencido de que o Grupo Volkswagen e a sua equipa irão ultrapassar esta crise grave”.

winterkorn

O escândalo levou as ações do grupo automóvel alemão a afundarem cerca de um terço nos primeiros dois dias da semana.