As acões da BMW estão a afundar na bolsa de Frankfurt esta quinta-feira, depois de uma revista alemã dedicada à indústria automóvel – a AutoBild – noticiar que os seus testes revelaram que um modelo da BMW excede em 11 vezes os limites europeus para as emissões poluentes. A empresa já comentou e garante que não há qualquer fraude.

“Não existe qualquer função que reconheça que as emissões estão a ser testadas em laboratório. Todos os sistemas de emissões permanecem ativos” em qualquer situação, apressou-se a BMW a afirmar, em comunicado, perante a queda das ações em bolsa. Recorde-se que, no caso da fraude da VW, o que está em causa não é, apenas, a superação dos limites mas a instalação de um sistema que evitava que as verdadeiras emissões fossem reconhecidas em laboratório.

Esta manhã, a revista Autobild colocava, sem referir qualquer fraude, o BMW X3 xDrive como um modelo que superava em quase 12 vezes os limites europeus definidos pela regulação Euro6, que já está em vigor. Isto além do Audi A8 3.0 TDi, do grupo Volkswagen que, segundo os seus testes, supera os limites europeus em 22 vezes.

Com todos os investidores de olho neste escândalo das emissões, as ações da BMW abriram em forte queda esta quinta-feira, quando se tinham mantido relativamente imunes nos últimos dias às quedas da Volkswagen. Também esta quinta-feira, um responsável do governo alemão afirmou que as investigações que vão decorrer na Alemanha não se limitarão à Volkswagen e às marcas desse grupo.

Seat também falseou emissões poluentes em meio milhão de carros

A Seat, marca espanhola do grupo alemão Volkswagen, instalou em mais de meio milhão de carros o ‘software’ que falseia as emissões de gases poluentes, noticiou esta quinta-feira o jornal El País. A Volkswagen enfrenta uma investigação criminal nos Estados Unidos e ações legais em todo o mundo, depois de admitir que colocou em 11 milhões de carros a gasóleo um ‘software’ capaz de enganar os testes de poluição efetuados pelas autoridades.

“A filial espanhola do grupo alemão instalou em mais de meio milhão de carros a diesel o sistema que adultera as emissões dos seus veículos desde 2009”, escreve o El Pais, citando fontes não identificadas com vínculo à empresa.

Estes dados vêm revelar que o grupo Volkswagen também vendeu na Europa carros equipados com motores a gasóleo com o ‘software’ malicioso. Os motores a gasóleo utilizados pela Seat são, em teoria, os mesmos utilizados pela Volkswagen e Audi nos Estados Unidos, segundo o jornal. A fábrica da Seat em Martorell, perto de Barcelona, terá supostamente instalado o ‘software’ em veículos que estão à venda este ano, acrescentou.

Um porta-voz da Seat confirmou que alguns veículos a diesel foram equipados com o ‘software’ falseado, mas não referiu quantas unidades.

A Seat vendeu 378.586 veículos no ano passado e cerca de dois milhões de veículos ao longo dos últimos seis anos, incluindo motores a gasolina e a gasóleo, de acordo com o El Pais. A empresa tem fábricas na Catalunha, no nordeste da Espanha, bem como em Navarra, no norte.