O reitor da Universidade do Algarve  anunciou, esta quinta-feira, a abertura de um processo de averiguações a uma atividade alegadamente relacionada com praxes académicas, que obrigou a que uma aluna tivesse que ser assistida no hospital.

O caso, que ocorreu na noite de quarta-feira na Praia de Faro, foi relatado ao reitor pelos pais da aluna, de 19 anos, que entrou agora para a universidade, e António Branco decidiu instaurar um processo para apurar eventuais responsabilidades disciplinares dos estudantes da universidade envolvidos.

“Em consequência de alguma coisa que aconteceu na praia, uma aluna necessitou de assistência médica e isso constitui matéria suficiente para abrir um processo de averiguações que pode ter consequências disciplinares”, disse António Branco à Lusa, sublinhando que a situação clínica da aluna “não é grave”.

Fonte do Centro Hospitalar do Algarve confirmou à Lusa que a jovem deu entrada na unidade de Faro, às 21h55 de quarta-feira, e que continuava, hoje de manhã, em observação no serviço de Urgência, estimando-se que tenha alta em breve.

Enterrada na areia só com cabeça de fora e a beber até entrar em coma

De acordo com a edição online do Jornal de Notícias, a alegada praxe a que a aluna do primeiro ano do curso de Biologia e os seus colegas foram submetidos consistia em enterrar os jovens na areia, na horizontal e próximos da água, ficando só com a cabeça de fora, enquanto lhes eram dadas, à boca, bebidas alcoólicas.

Segundo António Branco, a universidade está agora a reunir informação sobre o sucedido para a abertura de um despacho “que seja sólido”, o que deverá acontecer nos próximos dias. O reitor da UAlg refere que esta é a primeira vez com que se depara com uma situação em que recebe uma “reclamação objetiva” que lhe permita “agir”, pois circulam na comunidade “muitas histórias”, mas que não se traduzem em “atos que se possam averiguar”.

“Apelo à serenidade dos membros da Academia, esperando que este momento proporcione uma reflexão individual e coletiva sobre os valores que devem prevalecer e ser preservados na Universidade do Algarve”, lê-se, ainda, no comunicado divulgado hoje.

Governo promove campanha contra praxes abusivas

Não é só este reitor que apela à reflexão. O próprio Governo lançou este ano a segunda edição da campanha contra as praxes abusivas, que foi criada em 2014 depois da polémica gerada pela morte, um ano antes, de seis estudantes da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, no Meco.

No primeiro ano de funcionamento do endereço de correio eletrónico para denúncias de praxes abusivas foram recebidas pelos serviços do Ministério da Educação e Ciência (MEC) 80 queixas, das quais apenas 45 mereceram acompanhamento posterior, revelou a tutela no início deste mês, sem dar pormenores sobre o teor das queixas.

Sobre as consequências dos casos que mereceram acompanhamento por parte das instituições, a tutela referiu que “foram todos resolvidos no seio das instituições, com recurso aos mecanismos disponíveis e ao envolvimento dos respetivos Provedores do Estudante”.