A edição desta quarta-feira do Wall Street Journal apelida o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, de “visionário”. Porquê? Vamos por partes. San Marino lidera, desde há muitos anos, a lista de países em que o número de veículos motorizados per capita é maior. Por cada mil habitantes de San Marino, há 1263 veículos. Aliás, é este o único país do mundo em que o número de veículos é superior ao de habitantes. O Brasil surge em sexagésimo primeiro lugar, segundo um relatório de 2014 do Banco Mundial. Por cada mil brasileiros, 249 têm um veículo motorizado — não contabilizando os motociclos.

São Paulo, mais do que o Rio de Janeiro, mais do que Brasília, é a cidade brasileira que mais veículos per capita tem. O transito em São Paulo é caótico, atravessar a cidade de ponta a ponta demora horas, e os níveis da poluição causada por automóveis são dos mais elevados da América do Sul. E é aqui que entra Fernando Haddad, eleito pelo Partido Trabalhista para a prefeitura de São Paulo em 2013 (antes, foi ministro da Educação de Lula da Silva, primeiro, e de Dilma Rousseff depois) e, desde então, tem proposto uma série de medidas para reduzir o tráfego na cidade.

O Wall Street Journal elogia essa reforma do sistema de mobilidade. “Se o impopular prefeito de São Paulo fosse mayor de São Francisco, autarca de Berlim ou de qualquer outra metrópole que se queira inovadora, ele seria reconhecido como um visionário em políticas urbanas”, lê-se o jornal.

O artigo do jornal norte-americano fala ainda da iniciativa “Braços Abertos”, que apoia toxicodependentes que se queiram livrar da dependência química, mas ao que dá real destaque é à vontade de Haddad, um “mal-amado pelos comerciantes e moradores locais”, em criar ciclovias como alternativa aos automóveis e faixas para que os transportes públicos não se demorem ad aeternum no tráfego – as outrora congestionadas Avenida Paulista e ‘Minhocão’ continuam congestionadas, mas têm hoje vias inteiramente livres para as alternativas de mobilidade. “Numa cidade tão carente de zonas arborizadas, a decisão de Fernando Haddad agradou de sobremaneira aos ciclistas, aos pedestres e aos skaters, que se deleitam com as alternativas de que dispõem.”

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Mas o prefeito de São Paulo continua a ser impopular junto do eleitorado e da oposição de direita. “A administração de Haddad é tida como demagógica e imprudente pela oposição, que critica os altos índices de criminalidade, o sobreendividamento dos hospitais e a degradação nas escolas em São Paulo”.

Uma coisa é certa (e o Wall Street Journal destaca-o), “80 por cento de todas as ciclovias e 91 por cento de todas as faixas para os transportes públicos” foram aprovadas e estão em funcionamento. O tráfego não diminui por ora, a poluição atmosférica também não, mas há alternativas (que antes não havia) para quem não quer andar de automóvel em hora de ponta — hora essa que, em São Paulo, é a toda a hora.