Novo iOS, novas funcionalidades. A nona versão do sistema operativo da Apple — lançada na semana passada — permite bloquear, no browser Safari, grande parte da publicidade existente nos sites. Mas apesar de isso agradar à generalidade do público, a opção tem gerado controvérsia.

Enquanto os utilizadores podem aceder aos sites sem serem interrompidos por anúncios, as companhias — principalmente as de media — temem uma quebra abrupta nas receitas geradas por eles. Tudo porque muitas dessas empresas disponibilizam conteúdos gratuitos na web, cujas despesas são suportadas pela publicidade que nela integram.

Mas o bloqueio de anúncios na internet não é novidade. Antes da decisão da Apple já existiam programas para o mesmo efeito, vulgarmente denominados ad blockers (“bloqueadores de publicidade”, em português). E, para os encontrar, não é preciso ir muito longe: segundo o site Business Insider, o ranking das apps mais compradas em iOS nos EUA é encabeçada por um desses aplicativos, o Crystal.

No entanto, não são só as companhias de media a serem afetadas pela situação. De acordo com a Fortune, este tipo de programas tem trazido problemas ao setor do comércio eletrónico (e-commerce). Alegadamente, alguns desses aplicativos estão a afetar a forma como certos sites de compras online são visualizados pelos utilizadores. Em alguns deles, o programa esconde os produtos como se fossem anúncios publicitários e, consequentemente, diminui o volume de vendas dessas empresas.

Em declarações à Business Insider, Tom Caporaso, diretor-executivo do FreeShipping.com, reconhece que “isto é algo com que nos devemos de preocupar”. Segundo Caporaso, 30% das compras online são feitas com dispositivos móveis. Por isso, fazendo as contas, “isto torna-se um grande problema muito rapidamente”.

À medida que a popularidade dos ad blockers vai crescendo — e com a nova funcionalidade nativa do iOS — , parece claro que a solução não passa por convencer os utilizadores a não usarem estes programas. “Se é isso que eles querem fazer, vai ser muito difícil dissuadir os clientes a não usarem [estes aplicativos], refere ainda Caporaso ao mesmo site. Por isso, à medida que os ad blockers vão ganhando cada vez mais força, as companhias empenham-se em encontrar uma via alternativa que lhes permita contornar o problema. Dependendo da solução encontrada, poderemos estar a assistir a uma mudança na web que conhecemos hoje.