A ilha cabo-verdiana do Sal acolhe, na próxima semana, o Fórum Global sobre Nutrição Infantil, iniciativa que pretende debater formas inovadoras de financiamento dos programas de alimentação escolar nos países em desenvolvimento.

Mais de 250 especialistas e líderes políticos de 45 países irão participar na 17ª edição do Fórum Global sobre Nutrição Infantil, que decorre de 28 de setembro a 2 de outubro, organizado pela Global Child Nutrition Foundation, pelo Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas e pelo Governo de Cabo Verde.

Os principais temas do fórum serão o financiamento inovador e a sustentabilidade dos programas de nutrição e alimentação escolar saudáveis.

Angola, Brasil e São Tomé e Príncipe serão alguns dos países lusófonos participantes, num evento em que a presença de Portugal não foi ainda confirmada, conforme disse à agência Lusa Felisberto Moreira, da Fundação Cabo-verdiana de Ação Social Escolar (FICASE) e porta-voz do fórum.

O responsável sublinhou a importância de Cabo Verde acolher este evento, depois de o país ter assumido, em 2007, o financiamento da alimentação nas escolas, antes assegurado pelo PAM.

“É a oportunidade que Cabo Verde tem de partilhar com muitos a sua experiência bem-sucedida na alimentação escolar”, disse Felisberto Moreira.

O Programa Alimentar Mundial (PAM) decidiu retirar-se do financiamento dos programas alimentares nos países em desenvolvimento, que terão agora que financiar a alimentação nas escolas.

Cabo Verde tem já um percurso feito nesta área e atualmente o Governo financia a 100 por cento a alimentação de cerca de 90 mil crianças das escolas do primeiro ciclo e jardins infantis públicos, que recebem uma refeição diária.

O custo anual do programa de alimentação escolar ascende a 400 mil contos [3,62 milhões de euros] e é financiado pelo Orçamento do Estado e por verbas provenientes de alguns países através dos programas de cooperação.

“Conseguimos ter um programa adaptado à realidade socioeconómica de Cabo Verde que é o objetivo que os outros países querem atingir”, disse Felisberto Moreira.

Num país que importa mais de 80 por cento dos alimentos consumidos pelos seus quase 500 mil habitantes, Cabo Verde conseguiu reduzir as suas taxas de má nutrição global para 2,6 por cento (média da região é de 10 por cento) e de má nutrição severa para 9,7 por cento para uma taxa média da região de 37 por cento.

Ainda assim reconhece Felisberto Moreira, para muitas crianças a refeição na escola é a única que fazem durante o dia.

“Temos ainda famílias que enfrentam dificuldades, sobretudo este ano que foi um mau ano agrícola e de erupção vulcânica e muitas famílias terão dificuldades em assegurar três refeições diárias aos seus educandos”, disse.

O próximo desafio é agora, segundo o responsável, a melhoria da qualidade da alimentação das crianças cabo-verdianas.

Uma coisa é dar de comer outra é ensinar as pessoas a comerem bem e, no quadro dessa política, tem havido preocupação de inserir nos curricula dos professores e nos manuais escolares a questão da qualidade nutricional”, adiantou.

Além disso, acrescentou, tem havido também uma aposta em parcerias com os agricultores locais para a introdução na alimentação das crianças de frutas e legumes e de alimentos que estão de acordo com a sua realidade nutricional cabo-verdiana.

O apoio técnico a países em desenvolvimento interessados em iniciar ou expandir programas de alimentação escolar saudáveis ligados à agricultura familiar é outro dos objetivos do fórum que desde 1997, reúne anualmente líderes de países em desenvolvimento e especialistas em nutrição infantil.