A Repsol aguarda ainda a resposta do governo português ao pedido para adiar a perfuração na concessão de águas profundas do Algarve, que deveria ter sido realizada até outubro deste ano.

A desvalorização do preço do petróleo e o arrefecimento do mercado internacional foram as razões invocadas pelo consórcio liderado pela petrolífera espanhola onde participa também a Partex. A concessionária pediu para realizar esta perfuração até outubro de 2016.

A Repsol está também à procura de parceiros para partilhar o risco e os custos deste projeto, revelou Alvaro Arnaíz Giménes-Coral, responsável por este consórcio, na conferência sobre a pesquisa de petróleo em Portugal, que se realizou esta segunda-feira na Gulbenkian.

Em causa está um investimento da ordem dos 50 milhões de dólares (45 milhões de euros). Nesta concessão, havia alguma expectativa de que poderiam ser encontradas quantidades de gás natural com interesse comercial.

A empresa espanhola é um dos principais operadores de pesquisa e exploração em Portugal e já investiu 53 milhões de dólares (cerca de 45 milhões de euros) nas duas concessões que lidera: Algarve e bacia de Peniche, onde tem a Galp como parceira, para além da Partex e a Kosmos.

O pedido de mais tempo é um sinal de algum abrandamento no interesse das petrolíferas em investir na pesquisa e exploração na costa portuguesa. Entre 2007 e 2013, os investimentos feitos em concessões nacionais ascenderam a 236 milhões de euros.

O presidente da Entidade Nacional do Mercado de Combustíveis (ENMC), Paulo Carmona, diz que o interesse das empresas mantém-se, mas reconhece que o ritmo de desenvolvimento será provavelmente mais lento. 

E na conferência sobre o tema marcaram presença os representantes de duas novas empresas que tão a entrar no segmento da exploração em Portugal, mas na pesquisa onshore (em terra) que tem custos mais baixos. A Australis que está a negociar três áreas onshore na bacia Lusitânica e Sousa Cintra. O dono da empresa que ganhou a concessão para a pesquisa em Tavira e Aljezur assistiu ao encontro, mas não quis, para já, falar sobre a Portfuel.

E até que ponto a manutenção do petróleo na cotação dos 50 dólares poderá comprometer os investimentos previstos em exploração? As respostas dos representantes das concessionárias presentes em Portugal foram cautelosas. Roland Muggli, da Galp Energia, admitiu que terão de se realizar estudos mais aprofundados e prolongados antes de se tomar uma decisão de investir. Sobretudo quando estão em causa valores significativos em projetos de alto risco.

Outros responsáveis realçaram que a indústria petrolífera, e os seus fornecedores, terão de se adaptar à nova realidade dos preços e os custos vão ter de baixar

Concursos para exploração no Algarve e bacia do Porto

Não obstante o momento do mercado petrolífero, Portugal está a preparar o lançamento de mais concursos internacionais para a atribuição de direitos de pesquisa e exploração. Uma destas concessões nas águas ultra profundas do Algarve, a 100 quilómetros da costa, irá a concurso depois de um pedido de pesquisa feito por um operador internacional, revelou Paulo Carmona aos jornalistas.

Apesar de não existir qualquer manifestação de interesse, será também lançado o concurso para as águas pouco profundas da bacia do Porto, aproveitando o grande conhecimento que foi reunido sobre esta área.

Os dois concursos deverão ser lançados no próximo ano e o critério de atribuição será o melhor preço oferecido.

Primeiro poço em águas profundas ao largo de Sines

ENI, líder do consórcio que desenvolve três concessões na bacia do Alentejo, mantém os planos para realizar a primeira perfuração em águas profundas ao largo da costa portuguesa, no próximo ano. O poço será feito na área Santola, a 80 quilómetros de Sines, revelou Franco Contilini, um dos responsáveis pelo consórcio liderado pela empresa italiana.

De acordo com dados revelados no passado pela Galp, parceira da Eni neste projeto, este será um investimento da ordem dos 100 milhões de dólares (90 milhões de euros).

Segundo dados avançados na mesma conferência, cerca de 80% das descobertas de petróleo são realizadas a mais de mil metros de profundidade. Portugal tem condições geológicas e uma das maiores zonas exclusivas marítimas europeias, com águas profundas. O potencial existe e a costa portuguesa continua a ser atrativo para a pesquisa.

Mas mais do que a pergunta — Portugal tem petróleo? A resposta é sim .a pergunta que interessa é: Portugal tem petróleo suficiente para uma exploração económica e ambientalmente sustentável? Ainda não sabemos, concluiu Luís Guerreiro da Partex.