A Presidente brasileira Dilma Rousseff defendeu, no seu discurso à 70.ª Assembleia Geral da ONU, o acolhimento aos refugiados e o combate a “atos de barbárie” como os levados a cabo pelo Estado Islâmico.

“Num mundo onde circulam livremente mercadorias, capitais, informações e ideias, é absurdo impedir o livre-trânsito de pessoas”, afirmou Rousseff sobre os refugiados, realçando que o militarismo apoiado por outros países no Médio Oriente e no norte de África fortaleceu a proliferação do terrorismo e da existência de refugiados.

Rousseff disse que a ONU enfrenta um grande desafio e afirmou que o Brasil é um país de acolhimento, que está “de braços abertos” para receber refugiados. Um momento da sua intervenção que foi interrompida por aplausos.

“Somos um país multiétnico que convive com as diferenças e sabe a importância delas para se tornar mais rico, mais forte e mais diverso”, afirmou.

Ainda relativamente a outros assuntos internacionais, Rousseff defendeu a criação de um estado palestiniano que conviva com Israel e o fim dos colonatos israelitas na região. A Presidente do Brasil exortou ainda a uma reforma da estrutura das Nações Unidas, principalmente no Conselho de Segurança, ao qual o Brasil tem pretensões de vir a fazer parte como membro permanente.

A Presidente brasileira também elogiou a aproximação entre os Estados Unidos e Cuba e apoiou o fim do embargo económico, além de defender o acordo entre os cinco países membros permanentes do Conselho de Segurança (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha com o Irão, que permite o uso da energia nuclear com fins pacíficos.

Rousseff também defendeu os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, e afirmou que são um avanço mundial em questões relativas ao meio ambiente, ao fim da pobreza, ao desenvolvimento social e aos desafios urbanos.

Relativamente à atual situação económica e política no seu país, a Presidente brasileira reconheceu que estão em crise e defendeu a democracia e a manutenção das instituições, da mesma forma que tem feito em Brasília para se posicionar contra quem pede a impugnação de seu mandato.

Rousseff disse que as punições contra a corrupção devem cair sobre “todos os que cometeram crimes”, face ao contexto de políticos de seu partido, o Partido dos Trabalhadores, serem suspeitos ou terem sido já condenados pela alegada participação num esquema de desvios e branqueamento de capitais, pagamentos de subornos e associação criminosa na empresa Petrobras. A Presidente salientou que o Brasil não está com “problemas estruturais graves” e disse que a situação é conjuntural, resultante do limite a que chegou o Governo brasileiro para conter a crise internacional, com estratégias para aumentar o consumo e cortes nos impostos do setor industrial e da taxa de juros.

O ajuste fiscal, com o corte de gastos do Governo e de investimentos, foi citado como estratégia para obter receitas, consolidar a estabilidade, aumentar a confiança do mercado no país e garantir a retomada do crescimento económico.