O painel não era vasto mas mesmo assim não deixava de ser importante. De um lado estava Mark Zuckerberg, o fundador e diretor-executivo do Facebook, e do outro Narendra Modi, o primeiro-ministro da maior democracia do mundo, a Índia.

Ainda mais invulgar foi o momento em que Modi se emocionou enquanto recordava a sua mãe e os tempos difíceis da sua infância. “As coisas que nós fazíamos para sobreviver quando éramos novos… Íamos à casa dos vizinhos lavar pratos, buscar água, fazer tarefas difíceis. Portanto pode imaginar o que uma mãe assim teve de fazer para educar os seus filhos. As coisas pelas quais ela teve de passar (…). Isto não é apenas o caso de Narendra Modi. Na Índia, há centenas de milhares de mulheres e mães que sacrificaram as suas vidas inteiras pelas suas crianças.”

As reações não se fizeram tardar — dividindo-se entre a compaixão e a ironia.

“Performance digna de um Óscar”, escreveu o utilizador do Twitter @academic_dud.

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https://twitter.com/academic_dud/status/648199390176280576

Já a utilizadora @AsYouNotWish, que se auto-define na mesma rede social como uma “apoiante de Modi”, escreveu: “Quando Modi ri, a Índia ri; quando Modi chora, a Índia chora. Esperámos uma eternidade por um líder assim“.

https://twitter.com/AsYouNotWish/status/648232199586603008

Já Bodhisattva Sen Roy recorreu ao humor para comentar a situação: “Modi chora na sede do Facebook. A seca na Califórnia chegou finalmente ao fim”.

Apesar de ter sido um momento invulgar, esta não foi primeira vez que o chefe de Estado da maior democracia do mundo — a Índia tem uma população de 1,25 mil milhões — chorou enquanto falava em público. Foi, aliás, a chorar que Modi fez o seu primeiro discurso enquanto primeiro-ministro da Índia no parlamento, em Nova Deli, dirigindo-se mais concretamente aos deputados da sua força política, o Partido do Povo Indiano (PPI). Também aí falou de uma “mãe”, mas aí em sentido figurativo.

Depois de um deputado do PPI ter dito que Modi fez um “favor” ao partido por ter vencido as eleições, o recém-eleito primeiro-ministro respondeu-lhe em lágrimas e com a voz a tremer de emoção: “Estará um filho a fazer um favor ao servir a sua mãe? Não, de todo. Tal como a Índia, o PPI é a minha mãe. Um filho nunca faz um favor. Ele apenas serve a sua mãe com dedicação“.

Narendra Modi venceu as eleições legislativas de 2014 com 31% dos votos. Antes disso, foi governador da região de Gujarat, desde 2001 até ao ano em que se tornou-primeiro-ministro.

Uma das maiores provas da sua governação em Gujarat foram os motins de 2002, onde a maioria hindu se opôs à minoria muçulmana de forma letal. Os conflitos resultaram na morte de 790 muçulmanos e 254 hindus — e Modi não escapou às acusações de que poderia ter feito mais para evitar ou minimizar os vários dias de violência sentidos naquela região na fronteira com o Paquistão.