Os ossos de Nicolau II e Alexandra Feodorovna, o último casal real da Rússia que foi assassinado por revolucionários bolcheviques aquando da revolução de 1917, foram exumados para serem examinados numa tentativa de identificar aquilo que podem ser os restos mortais de dois dos seus filhos. Trata-se de Alexei e de Maria, que morreram com 13 e 19 anos, também assassinados pelos bolcheviques, em Yekaterinburg.

O primeiro capítulo desta investigação em volta dos restos mortais da família Romanov escreveu-se em 1991, quando foram desenterrados os ossos de Nicolau II, da sua mulher e de três dos seus cinco filhos. Os restos mortais estavam numa vala comum nos Montes Urais, a cordilheira que delimita a Rússia europeia da Rússia asiática. Depois de uma análise e de vários anos de investigação,em 1998 ficou determinado que aqueles era mesmo a família real russa. Nessa altura, foram sepultados na catedral de Pedro e Paulo em São Petersburgo. E em 2000 a Igreja Ortodoxa Russa — que foi um forte aliado dos czares russos e cuja influência e poder foram fortemente diminuídos pelos bolcheviques — canonizou a família e os cinco membros da família Romanov.

Ficaram a faltar a dois: Alexei e Maria. Até que, em 2007, foram desenterrados mais ossos de outra vala comum nos Montes Urais. Na altura, o Comité de Investigação, um órgão oficial russo, determinou que aqueles restos mortais pertenciam, de facto, aos dois filhos de Nicolau II que faltavam encontrar.

Ainda assim, a investigação então levada a cabo não chegou para convencer a Igreja Ortodoxa Russa, que agora solicitou uma nova recolha de ADN para perceber se aqueles são de facto os restos mortais de Alexei e Maria Romanov. Para tal, serão comparados testes genéticos destes com os dos ossos dos pais, Nicolau II e Alexandra Feodorovna, e também do bisavô Alexandre II, morto em 1881 por revolucionários do grupo Vontade do Povo, e de outros membros da família enterrados em Jerusalém.

Caso se confirme que os ossos são mesmo os dos dois filhos de Nicolau II que faltavam descobrir, é provável que Alexei e Maria, à semelhança do resto da família, sejam tornados santos pela Igreja Ortodoxa.

Segundo declarações da advogada da descendente da família real russa, a grã-duquesa Maria Vladimirovna, a ideia de uma nova investigação terá sido bem recebida entre aqueles que restam dos czars. “A grã-duquesa espera que o exame dos restos do [assassinato] de Yekaterinburg seja científico. Tem de ser encontrada a verdade deste caso, através da resposta à pergunta principal: de quem é que são estes ossos”, disse à agência noticiosa russa Tass o advogado German Lukyanov.