O terceiro trimestre de 2015 caminha para ser o pior dos últimos quatro anos para as ações europeias, apanhadas no meio de receios em torno dos mercados emergentes como Brasil, Índia e China e, por outro lado, pela incerteza em torno da política monetária dos EUA. As bolsas europeias caem 18% desde o máximo anual fixado em abril e preparam-se para fechar o terceiro trimestre com uma desvalorização de 11%.

A bolsa de Tóquio fechou a cair mais de 4%, depois da descida de 1,3% na sessão anterior, e voltou aos mínimos do ano, tocados em janeiro. Na China, a sessão foi também negativa: o Shanghai Composite baixou mais de 2%. “Um cocktail amargo de receios em torno do crescimento chinês e, portanto, em relação à procura por matérias-primas” e o facto de os investidores terem “ficado alarmados com a descida de taxas de juro na Índia, que foi maior do que se previa”, são alguns dos fatores que justificam o pessimismo que se vive nos mercados por estes dias, escrevem analistas do Rabobank em nota enviada aos clientes esta manhã.

Michael Hewson, analista do CMC Markets, assinala que “a última leitura aos lucros dos setor industrial na China mostrou uma queda de 8,8% em agosto e ainda que alguns digam que parte desse efeito se deve à explosão do porto de Tianjin e às comemorações relacionadas com a Segunda Guerra Mundial, os investidores preferiram não esperar para ter a certeza”, e aumentaram a pressão vendedora sobre as ações chinesas, o que se alastrou ao resto dos mercados.

Já ontem, nos EUA as ações tinham caído mais de 2,5%, com o índice S&P 500 a cair pela quinta sessão consecutiva. Na Europa, o índice Stoxx 600 desceu 2,21% na segunda-feira e caía 0,75% esta manhã de terça-feira. A manter-se a queda deste índice europeu, ele atingirá uma queda de 20% face aos máximos recentes, o que é a definição comum de um bear market, ou seja, um mercado em que os investidores mais pessimistas ganham prevalência e que torna mais difícil uma recuperação no imediato.

Os analistas do Rabobank acrescentam que o escândalo da Volkswagen não está a ajudar em nada à melhoria do otimismo dos investidores em relação às expectativas de crescimento na Europa.

Outro fator decisivo que continua a inibir os investidores e a criar incerteza nos mercados globais é a expectativa face à política monetária dos EUA. A Reserva Federal acabou, como previa a maioria dos analistas, por não subir a taxa de juro em setembro. Mas parece, contudo, claro que a Fed está prestes a “bater as asas” e subir os juros nos EUA. O mundo aguenta?