A taxa de inflação homóloga registou em setembro um valor negativo de -0,1%, face aos 0,1% de agosto e os 0,3% de setembro de 2014, segundo a estimativa rápida do Eurostat. Ao cabo de cinco meses com leituras pouco superiores a 0%, a taxa de inflação volta a terreno negativo, mas os economistas acreditam que a evolução se deve aos preços da energia e que, a partir de dezembro, o efeito base será menos pronunciado e a inflação irá subir.

Os cálculos do gabinete oficial de estatísticas, os setores da alimentação, álcool e tabaco registaram a maior taxa de inflação (1,4%, face aos 1,3% de agosto), seguindo-se o dos serviços (1,3%, que compara com 1,2% de agosto), bens industriais (0,3%, face a 0,4% do mês anterior) e a energia (-8,9%, que compara com -7,2% de agosto).

“O presidente do BCE, Mario Draghi, não terá alternativa que não tolerar uma taxa de inflação perto de zero por mais alguns meses”, escreve Teunis Brosens, economista do ING em nota de análise aos números. “A partir de dezembro, a energia passará a ter um efeito menor por causa do efeito base“, porque foi a partir de dezembro do ano passado que os preços da energia no consumidor começaram a cair de forma acentuada. “Nessa altura, a taxa de inflação deverá recuperar rapidamente para entre 0,5% e 1% na comparação homóloga, e por aí permanecer algum tempo”, antecipa o economista.

Será, a confirmar-se, ainda abaixo dos 2% idealizados pelo BCE, mas será suficiente, diz Teunis Brosens, para aliviar a pressão sobre Draghi para que o banco central acelere os estímulos monetários.

O Eurostat divulga a 16 de outubro dados mais detalhados sobre o indicador.