O prémio de Comunicação de Ciência da Sociedade Britânica de Biologia (Royal Society of Biology) foi, este ano atribuído este ano à investigadora e co-fundadora do projeto Native Scientist, Joana Moscoso, natural de Valença (Portugal), conforme nota de imprensa divulgada pela instituição.

“É um dos maiores prémios atribuído a indivíduos por uma sociedade científica no Reino Unido”, disse ao Observador Joana Moscoso. “O prémio é importante porque valoriza não só as ações a nível da divulgação científica, mas também a qualidade do percurso científico do investigador”, acrescenta a investigadora que no ano passado ganhou o prémio de comunicação de ciência da Sociedade Geral de Microbiologia – maior sociedade da especialidade na área em que Joana Moscoso faz investigação.

Os prémios anuais da Sociedade pretendem “recompensar o trabalho de envolvimento na ciência levado a cabo por cientistas de forma a informar e inspirar o público”, que no caso de Joana Moscoso, microbióloga no Imperial College London, lhe valeu um prémio de 1.500 libras (mais de dois mil euros). Um valor que a investigadora diz que a ajudará no período de pausa que fará entre o primeiro pós-doutoramento recém terminado no Imperial College, onde trabalha desde 2009, e o segundo que iniciará em breve no i3S, no Porto.

“É uma honra ver reconhecido pela comunidade científica o nosso esforço e empenho, especialmente quando o esforço é genuíno e se exerce em campos que fogem do tradicional”, reforça Joana Moscoso. A investigadora aproveita para citar Steve Cross, juíz do concurso e membro do Wellcome Trust Engagement Fellow: “Joana conseguiu [este prémio] na categoria de Investigador Experiente, porém ficámos tão impressionados com o seu trabalho que ela acabou por bater uma série de cientistas seniores. Ela é claramente uma grande líder e está a resolver os problemas que detetou e está a levar a ciência a um público carenciado.”

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Tatiana Correia e Joana Moscoso, co-fundadoras do projeto Native Scientist – Native Scientist

O prémio atribuído a Joana Moscoso deve-se tanto às atividades de divulgação de ciência no Imperial College London como ao trabalho desenvolvido na empresa Native Scientist, que fez em julho dois anos que a Native Scientist se lançou no Reino Unido. O projeto começou pela intenção de levar a ciência em português – pelas mãos de cientistas portugueses – às crianças emigrantes ou descendentes de emigrantes que falam esta língua, porque, segundo disse a investigadora noutro momento ao Observador, estas crianças têm poucas ambições académicas devido às dificuldades de aprendizagem causadas pela barreira linguística.

Passado um ano do início do projeto, a Native Scientist tinha conseguido levar ciência em português a 300 crianças e esperava fazê-lo em espanhol e francês também. Agora já conseguiu chegar a mil crianças e ambicionam chegar a outros países. “O ano passado começámos a realizar atividades em França e este ano contamos implementar o projeto pelo menos na Alemanha.” Nesta fase, o que Joana Moscoso e a co-fundadora Tatiana Correia esperam é consolidar o que têm feito, angariar fundos – já que se trata de uma empresa social sem fins lucrativos – e crescer.

Atualizado às 19h00