Notícia atualizada a 02 de outubro de 2015 às 14h55

A Samsung pode estar a utilizar um sistema que reduz os consumos energéticos das televisões durante as fases de teste, antes de chegarem ao mercado. Um teste realizado por laboratórios independentes da Complian TV descobriu que a eficiência energética das televisões Samsung são melhores durante as fases de teste do que quando utilizadas pelo cliente.

Estes dados podem sugerir a instalação de um sistema que adapta a energia consumida pelos dispositivos quando estes estão em avaliação, o que resultaria na manipulação dos resultados. A Comissão Europeia já veio garantir que vai investigar o caso e apertar os regulamentos em vigor sobre a eficiência energética dos dispositivos tecnológicos das TV Samsung.

O caso faz recordar o escândalo Volkwagen e a adulteração da certificação da emissão de gases poluentes, devido à instalação de um software que atenua os resultados reais em fase de teste.

A Samsung já tentou demarcar-se da situação, conta o The Guardian, dizendo que os televisores não possuem qualquer tipo de mecanismo que altere os resultados reais dos testes laboratoriais. “Esta não é uma definição que apenas se ative durante os testes de conformidade. Pelo contrário, esta é uma definição out of the box, que reduz a energia sempre que é detetado um vídeo em movimento”, explicou um porta-voz da marca.

Tal definição – chamada “motion lighting” – foi aprovada pela Comissão Internacional Eletrotécnica e serve para “modelar melhor o nível médio imagético”, informou a Samsung. Como resultado, e conforme adiantado pelo mesmo laboratório num relatório, as televisões da marca são capazes de reduzir as definições de luminosidade em determinadas condições e, por consequência, passam a consumir menos energia mesmo transmitindo imagens em movimento.

Esta não é a primeira vez que a ComplianTV sugere a existência destes mecanismos, embora só agora o nome Samsung tenha sido relacionado com o sistema. Em fevereiro, um outro relatório dizia que “os laboratórios observaram diferentes comportamentos nas televisões durante as quantificações”. Outras entidades já tinham alertado para este problema. É o caso da Agência Sueca de Energia, que no início do ano avisara que algumas televisões reconheciam os materiais utilizados em teste laboratorial. A descrição é a mesma que a ComplianTV vem agora fazer, embora na altura a Samsung também não tenha sido referida pelos suecos.

Ainda assim, a ComplianTV protege-se dizendo que isto não significa necessariamente que haja um caso de fraude dentro da Samsung, mas antes um procedimento pouco realista durante as fases de teste. No entanto, a Comissão Europeia clarificou ao The Guardian que “a utilização de kits fraudulentos é ilegal” e que “os produtos que se comportem de forma fraudulenta em condições de teste não podem ser considerado”. E isto será válido mesmo sendo a técnica aceite pela Comissão Internacional Eletrotécnica.

Em comunicado de imprensa, a Samsung Portugal já reagiu às últimas notícias dizendo que rejeita ” firmemente a acusação de que uma das nossas configurações de TV tenha sido projetada para obter um desempenho de potência energético enganoso nos testes de laboratório regulamentares”. De acordo com a empresa, a funcionalidade “motion lighting” não é ativada apenas durante os testes: é antes uma definição que é acionada sempre é detectada imagem em movimento.

“Esta é uma funcionalidade padrão que funciona do mesmo modo no laboratório como em casa, ou seja, não é ligada apenas em testes de conformidade”, esclarece a Samsung Portugal. “Estamos orgulhosos destas tecnologias e temos a intenção de inovar ainda mais nesta área”.

Em média, uma televisão costuma consumir 10% do uso típico de eletricidade de uma casa, indica a Cool Products.