O ministro da Economia, Pires de Lima, afirmou hoje que as decisões dos tribunais não serão apressadas com “manifestações em tempo eleitoral”, comentando o protesto de taxistas agendado para hoje em Lisboa contra o serviço da Uber.

“Não é por se fazerem manifestações em tempo eleitoral que se apressam ou se atrasam as execuções das decisões dos tribunais, que é um poder independente do Governo”, afirmou o governante, no dia em que a Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL) convocou uma manifestação no Largo do Carmo.

Questionado pelos jornalistas, no final de uma reunião sobre o caso da Volkswagen, o governante disse perceber as “preocupações” dos taxistas, mas defendeu que “não deveriam misturar as suas preocupações com o momento eleitoral”.

Pires de Lima recordou que a ANTRAL foi recebida pelos ministérios da Economia e da Justiça, repetindo o convite feito pelo secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, para “os taxistas se sentarem a mesa com o Ministério da Economia, entidades reguladoras e a Uber para perceber como estes serviços podem ser regulados no futuro”.

“Se não tivermos esta iniciativa teremos que ficar à espera das diretrizes europeias nesta matéria. Por outro lado, do ponto de vista judicial, as decisões dos tribunais devem ser executadas e respeitadas, mas não é por se fazerem manifestações, em tempo eleitoral, que se apressam ou se atrasam as execuções das decisões dos tribunais, que é um poder independente do Governo”, declarou.

Em Lisboa, os taxistas vão manifestar-se no Largo do Carmo, contra a empresa de transportes que utiliza a aplicação Uber, uma concentração que marca o final de uma semana de ações espontâneas para lembrar a ministra da Justiça que prometeu fazer cumprir a legislação que obriga a ter licenças para transportar passageiros.

No dia 08 de setembro, mais de 3.500 taxistas de Lisboa, do Porto e de Faro protestaram contra o transporte de passageiros pela empresa que utiliza a aplicação Uber, que acusam de atuar ilegalmente em Portugal. Nesse dia, taxistas e dirigentes da ANTRAL foram recebidos pela ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, a quem entregaram um dossiê explicativo das suas razões para que a empresa deixe de operar em Portugal.