A aviação russa bombardeou esta sexta-feira de manhã uma base e um armazém de armas do Estado Islâmico (EI) na cidade síria de Al Quariatain, próxima de Palmira, bem como um campo de treino em Raqqa, a cidade escolhida como capital do autoproclamado califado. Desta vez, ao contrário do que sucedeu nos últimos dias, parece haver consenso quanto ao real alvo dos russos. Depois das alegações de que a Rússia estaria a bombardear a oposição síria e não os terroristas, a coligação internacional pediu ao país que se foque no combate ao Estado Islâmico.

A agência noticiosa espanhola EFE falou por telefone com o governador do estado de Homs, Talal al Barazi, que confirmou os bombardeamentos e precisou quais os alvos que tinham sido atingidos. Também o diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos disse à agência que tinha havido um raide de aviões “que se crê que eram russos”. O ministro dos Negócios Estrangeiros russo afirmou que um campo de treino de terroristas junto a Raqqa ficou “completamente destruído”.

Entretanto, alguns países da coligação internacional de combate ao Estado Islâmico liderada pelos Estados Unidos pediram à Rússia que deixe de bombardear alvos da oposição  síria, considerando que os ataques “apenas potenciarão mais extremismo e radicalização”. A Rússia afirma que está a atacar os terroristas do Estado Islâmico e não os opositores do regime de Bashar Al-Assad, mas alguns relatos de correspondentes e habitantes no terreno contrariam essa versão e apontam para dezenas de vítimas civis, incluindo crianças.

Numa entrevista à rádio francesa Europe 1, o chefe do Comité de Negócios Estrangeiros do parlamento russo reafirmou a tese de que o país está a lutar contra o Estado Islâmico e até acusou os Estados Unidos de apenas “fingirem” que o fazem. “A coligação americana esteve a fingir que bombardeava o EI durante um ano e não houve resultados”, disse Alexei Pushkov, para quem “a intensidade é que é importante” e os americanos não a têm tido. O responsável espera que a operação russa na Síria dure uns “três ou quatro meses” e exclui a possibilidade de haver uma intervenção terrestre.