O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, lamentou hoje que os esforços do seu Governo não tenham ainda trazido a paz ao país e considerou que “as armas nunca terminam a guerra”.

“Lamentamos que todos os esforços que têm sido empreendidos não estejam a ser compensados e valorizados com resultados”, declarou o chefe de Estado, citado pela Agência de Informação de Moçambique (AIM), quando discursava na sua província natal, Cabo Delgado, durante a celebração do jubileu da Missão de Imbunho, em Mueda. Filipe Nyusi passou em revista os seus sucessivos apelos à paz e ao diálogo com o líder da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), Afonso Dhlakama, que não é visto em público há mais de uma semana, após um incidente com a sua comitiva e troca de tiros com as forças de defesa e segurança, na província de Manica.

“É momento de reflexão sobre a paz, é momento de orarmos, é momento de perdoarmos”, afirmou o Presidente moçambicano, acrescentando que “as armas nunca terminam a guerra”, e que esta, por sua vez, “destrói infraestruturas, destrói a natureza e o Homem”.

A Missão de Santa Teresinha Coração de Jesus de Imbuho foi fundada em 1940 com a chegada dos padres holandeses, no âmbito de evangelização por religiosos holandeses no Planalto dos Macondes. Segundo a AIM, o chefe de Estado estudou numa escola da Missão de Imbunho, por onde passaram nomes do nacionalismo moçambicano contra o colonialismo português, como o ex-ministro da Defesa Alberto Chipande e o atual, Salvador Ntumuke, bem como Raimundo e Marina Panichuapa e Lagos Lidimo.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

A exortação à paz Filipe Nyusi, na véspera do 23.º aniversário da assinatura do Acordo Geral de Paz, que encerrou em Roma 16 anos de guerra civil, acontece num momento em que Moçambique vive sob o espetro de uma novo conflito, devido às ameaças da Renamo de governar pela força nas seis províncias do centro e norte do país, onde o movimento reivindica vitória nas eleições gerais de 15 de outubro do ano passado.

A violência política aumentou nas últimas semanas e na sexta-feira forças de defesa e segurança e militares da Renamo voltaram a confrontar-se no distrito de Gondola, província de Manica, com as duas partes a responsabilizarem-se mutuamente pelo começo do tiroteio. Após este último incidente, que forçou a fuga de dezenas de habitantes na região, não houve registo hoje de novos confrontos, apesar da permanência no local de forças da polícia e presumivelmente também de homens armados da Renamo.

Foi no mesmo distrito que, no passado dia 25, Afonso Dhlakama disse ter escapado de uma emboscada das forças de defesa e segurança, que por sua vez acusam os homens da Renamo de ter iniciado o incidente ao abrir fogo sobre uma viatura de transporte semipúblico que ia a passar e alegando que a polícia apenas se dirigiu ao local para repor a ordem. Destes confrontos, morreram pelo menos sete elementos da Renamo, segundo o partido da oposição, e 23 homens de Dhlakama, de acordo com o Governo moçambicano, além do motorista da viatura civil.

Esse foi o segundo incidente em menos de duas semanas envolvendo a comitiva de Afonso Dhlakama, após, a 12 de setembro, a sua caravana ter sido atacada também na província de Manica, num caso que permanece por esclarecer.