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Encontrar beleza na banalidade e trazer elementos do quotidiano para o universo do luxo parece ser a missão da designer britânica Anya Hindmarch. A rainha dos acessórios, como lhe chama o Daily Mail, voltou a fazer das suas: recuperou logótipos icónicos dos anos 1980 e utilizou-os em malas, bolsas, tops e até botas de cano alto. A coleção primavera-verão 2016 foi apresentada na Semana de Moda de Londres, em finais de setembro.

Os logos de marcas como WH Smith, Boots e — mais conhecida entre os portugueses — Carrefour ganharam uma nova vida e saltaram dos arquivos para as passerelles. Mas se a banalidade serve de inspiração no jeito de formas e feitios, o mesmo não se pode dizer dos preços a que as peças de Hindmarch serão comercializadas, com malas a rondar os 2.000 euros.

A iniciativa não é nova, nem mesmo para a designer, uma das preferidas da falecida princesa Diana. Em fevereiro de 2014, Hindmarch causou sensação nas passerelles de Londres quando as suas modelos desfilaram com acessórios inspirados nas caixas de cereais da Kellogg’s. Mais recentemente, diferentes sinais de trânsito foram os protagonistas da coleção outono-inverno de 2015, apresentada em fevereiro deste ano. A ideia de uma das mulheres mais bem-sucedidas no Reino Unido é, precisamente, proporcionar desfiles divertidos, salienta a Vogue.

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O conselho que daria é: sejam vocês mesmos porque os outros lugares já estão ocupados. Sejam originais. O dinheiro é rei, não fiquem sem dinheiro. Apenas sejam corajosos.” Hindmarch na Business Insider.

Mas antes dela já Jeremy Scott tinha jogado um mesmo jogo com a sua linha de outono-inverno 2014, quando em fevereiro desse ano revelou peças de roupa da Moschino inspiradas na cadeia de fast food McDonald’s  — o “M” da marca foi transformado num coração da griffe em questão e os uniformes dos funcionários daquela empresa passaram a ser um exemplo de elegância e sofisticação.

Na mesma temporada, a Chanel foi ainda mais longe e apresentou um desfile à imagem e semelhança de uma ida ao supermercado — o set criado pela marca tinha, inclusive, prateleiras ocupadas por produtos alimentares com os rótulos “CC”. De entre as peças da coleção, destaque para o cesto de compras no valor de 7.190 mil libras (cerca de nove mil euros), feito de metal entrelaçado com a renda de assinatura da griffe. Coisa pouca.

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