A onda de violência em Bangui no final de setembro causou 61 mortos e 300 feridos, anunciou o governo da República Centro-Africana (RCA), revendo em alta os anteriores balanços que indicavam cerca de 40 mortos.

“O último balanço da violência de fonte hospitalar é de 61 mortos e mais de 300 feridos”, refere um comunicado do ministro da Segurança Pública e porta-voz do governo, Dominique Said Panguindji.

“Quaisquer que sejam os pretextos, esta enésima crise é obra de um plano maquiavélico meticulosamente preparado há muito para travar o processo de paz e de reconciliação nacional, assim como o processo eleitoral suficientemente avançado apesar do contexto particularmente difícil”, acusou o porta-voz.

Segundo o comunicado, a crise “não é outra coisa senão um golpe de Estado planificado por inimigos da paz (…) Os autores e os seus cúmplices claramente identificados organizaram uma insurreição armada para tomarem o poder pela força”.

A semana passada, a presidente interina da RCA, Catherine Samba Panza, tinha qualificado a violência como “tentativa de tomada do poder pela força”.

O assassínio de um muçulmano que conduzia uma motorizada-táxi a 26 de setembro foi o detonador desta nova onda de violência que se alargou a vários bairros da capital antes das forças internacionais (‘capacetes azuis’ e soldados franceses da operação Sangaris) conseguirem restabelecer a calma.

A cidade também esteve paralisada durante quatro dias devido a barricadas construídas por manifestantes que exigiam nomeadamente a demissão da presidente de transição.

A destituição em março de 2013 do presidente François Bozizé pela rebelião Séléka (maioritariamente da minoria muçulmana) fez mergulhar a antiga colónia francesa, um dos países mais pobres do mundo, na sua mais grave crise desde a independência em 1960, desencadeando assassínios em massa entre as comunidades muçulmanas e cristãs em 2013 e 2014.

O nível de violência desceu consideravelmente desde então, mas numerosos grupos armados continuam a atuar.

A primeira volta das eleições presidenciais e legislativas está prevista para dia 18, mas deverá ser adiada mais uma vez devido aos atrasos no processo de recenseamento eleitoral.