Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro descobriu uma forma de utilizar cascas de ovos no fabrico de materiais cerâmicos. O método, se for aplicado, pode ter efeitos positivos na economia e no ambiente.

A equipa, liderada por José Velho, investigador do Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro, salienta os benefícios que a descoberta pode vir a ter se for implementada. Tanto para os produtores de ovos como para os fabricantes de cerâmica.

Para os produtores de ovos, os benefícios podem ser muito significativos: ao evitarem que as cascas de ovos vão para o lixo, poderão suprimir os custos que têm com o transporte das mesmas até aos aterros sanitários. Já os fabricantes de cerâmica poderão beneficiar com a possibilidade de virem a ter uma alternativa mais barata que a calcite, a matéria-prima utilizada na pasta da cerâmica.

Para o ambiente os benefícios são significativos, já que, além de evitar o desperdício das cascas de ovos (que assim seriam reutilizados), ainda reduzirá a utilização da calcite, um material cujo processo de extração apresenta uma pegada de carbono elevada.

Em comunicado, a Universidade de Aveiro descreve o processo de transformação através das palavras de José Velho:

A casca de ovo tem de ser previamente purificada de modo a serem retiradas todas as impurezas (geralmente material de natureza biológica) que prejudicam a eficiência do processo. (…) A casca de ovo terá de ser micronizada [reduzida a pó muito fino] até uma determinada granulometria [tamanho dos grãos] semelhante à das restantes matérias-primas.

Se o processo virá ou não a ser aplicado ainda não é certo, mas caso venha fica a nota: “A aplicação em meio industrial é possível mas até uma determinada taxa de incorporação, isto é, não é possível substituir 100 por cento da calcite por casca de ovo”, explica José Velho. Isto para que os níveis de qualidade dos produtos continue a corresponder às exigências da indústria.