Depois das eleições legislativas, o PS aponta agora baterias para as eleições presidenciais, onde, já se sabe, há pelo menos dois candidatos já assumidos da área política do PS: Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa. E por isso, a Comissão Política Nacional decidiu dar liberdade de voto aos militantes na primeira volta das presidenciais.

António Costa ainda ironizou a dizer que com esta decisão é ele quem está mais “condicionado” e que esta solução permite evitar “fraturas no partido”. Sendo certo que, com isto, os militantes acabarão por se dividir: a ex-Presidente do partido recebrá apoio de muitos militantes (entre os quais a ala segurista, mas não só), enquanto o ex-reitor conta já com outros militantes (incluindo os dois ex-Presidentes da República, Jorge Sampaio e Mário Soares.

Maria de Belém, segundos os jornais desta manhã, deve avançar já na próxima semana com a oficialização da candidatura.

A reunião da Comissão Política Nacional durou mais de quatro horas e foi certo que algumas das intervenções, sobretudo as de seguristas, não foram agradáveis para António Costa. À saída, Álvaro Beleza disse que para já não é candidato à liderança do partido uma vez que essa disputa só acontecerá depois das eleições presidenciais, mas deixou fortes críticas à liderança de António Costa dizendo que “ninguém pode ficar satisfeito com uma derrota eleitoral”.

Para o socialista, o PS não “pode ser o partido das meias-tintas” que mais não quer dizer que Beleza defende que para já, Costa não deve estar “disponível para fazer um governo de imediato de frente de esquerda”. “O PS não concorreu para tirar a maioria absoluta ao Governo. O PS concorreu para ter um primeiro-ministro que era António Costa. Não ganhámos, não temos um primeiro-ministro António Costa, mas o secretário-geral do PS pode vir a ser primeiro-ministro, se houver uma crise, se o Governo daqui a algum tempo não tiver condições para governar, a bola passar para o Governo”, disse.

Contudo, Álvaro Beleza diz que apresentou uma proposta de resolução da Comissão Política Nacional , mas esta não foi aceite. A proposta de  António Costa foi aprovada por 64 votos a favor, 4 contra (incluindo o de Álvaro Beleza) e 3 abstenções.

À chegada, Álvaro Beleza e António Galamba avisaram logo ao que vinham. O primeiro, que admitiu candidatar-se à liderança caso não apareça melhor candidato, disse que queria ouvir a estratégia do líder do partido para as presidenciais e propor um congresso para depois das eleições para a Presidência da República. Uma decisão tomada pelo próprio António Costa. Já o segundo, foi dos mais duros para com Costa. Assim que chegou ao Rato avisou que o líder socialista “não tem mandato” para encetar negociações nem à esquerda nem com a coligação. “Tem de procurar mandato dentro do partido para essas matérias e também para presidenciais”, disse.