O seu filho vai mudar quase da noite para o dia. Vai ser mais difícil comunicar com ele ou de o entender. A adolescência pode significar tempos difíceis, com a casa a tornar-se num campo de batalha do “diz que disse”, mas não há motivos para desesperar. A pensar nisso, o espanhol ABC entrevistou os autores do livro Un extraño en casa (“Um Estranho em Casa”), Rocío Ramos-Paúl e Luis Torres, para saber qual a melhor forma de conviver com as crianças nesta etapa de transformação. Aqui ficam as ideias principais:

1. O filho muda de repente e não há como evitá-lo, apenas aceitá-lo

“Os pais pensam que o filho vai ser sempre assim. Mas não: a adolescência revoluciona tudo. O menino obediente agora é rebelde, não quer falar e fecha-se no seu quarto”. Apesar de não existirem dois adolescentes iguais, dizem os entrevistados, há uma ideia que serve de consolo: esta etapa é como uma gripe, pelo que quando a criança chegar aos 20 anos, pais e filho voltam a dar-se bem.

2. É provável (e normal) que o adolescente prefira a opinião dos amigos à dos pais

A primeira coisa que eles, adolescentes, valorizam é a opinião dos amigos. Já a dos pais é facilmente rejeitada, sobretudo tendo em conta a idade e modo de vida dos filhos. Mas a rejeição não significa que a mensagem não seja interiorizada: “Os filhos nunca se esquecem do que lhes dizemos, a mensagem permanece ali, silenciosa, mas é o que mais força ganha à medida que o tempo passa”. Faz tudo parte desta transição: para se definirem enquanto adultos, os adolescentes começam por rejeitar o que já conhecem e aproximam-se do seu grupo.

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3. Por estes dias, a adolescência chega cada vez mais cedo

E porque é que isto está a acontecer? Porque os adolescentes têm acesso a mais coisas muito cedo na vida, respondem os autores. A culpa é, sobretudo, das novas tecnologias que facilitam muitas (e novas) experiências. “Eles são mais espertos, estão mais motivados e um dos riscos é que a tentação de consumir álcool e/ou drogas chega mais cedo.”

4. Só há quatro coisas a proibir aos filhos

Desde que os filhos acordam, ouvem coisas como “arruma o quarto”, “põe a mesa”, “arruma a roupa suja”, “não desligaste o computador”… A ideia é que não se pode controlar permanentemente os filhos, até porque esta é uma linguagem negativa. “Se lhe digo «proíbo-te de ires com esse amigo», ele vai ficar com mais vontade de ir. É preciso trabalhar com eles a [ideia de] negociação.” E como é que isso se faz? Damos um exemplo: não o deixe sair à noite, como combinado, caso ele não faça os trabalhos de casa na totalidade. “Devemos incutir comportamentos de responsabilidade.”

5. E como falar sobre sexo? Assim:

“Se não o tiverem feito antes, os pais devem ter uma grande conversa com o filho. É muito importante normalizar o tema. Entre os 15 e os 16 anos iniciam-se as relações sexuais. (…) O que é fundamental é associar as relações sexuais a valores como o carinho, porque só quando são mais adultos é que conseguem entender [esse conceito]. Também se deve explicar que não devem fazer nada que não queiram e que, quando o fizerem, deve existir uma relação de afetividade. É importante que associem o sexo a este valor”.