O deputado socialista Sérgio Sousa Pinto está completamente contra a linha política que o Partido Socialista (PS) adotou depois do resultado das eleições do dia 4 de outubro, nomeadamente a ideia de tentar formar governo com o Bloco de Esquerda e o PCP, e por isso demitiu-se, este sábado, do Secretariado Nacional do PS, como noticiaram o jornal i e o Diário de Notícias.

Questionado pelo Observador, o deputado, que foi um dos principais apoiantes de Costa contra Seguro, disse que só falará nos órgãos do partido. Na próxima terça-feira à noite há reunião da Comissão Política do PS.

Sousa Pinto é reconhecidamente da ala esquerda do Partido Socialista e esta decisão revela que nem junto das pessoas mais à esquerda do partido esta estratégia de António Costa está a ser consensual. Além disso é amigo próximo de António Costa que o levou para a direção do partido. Contudo, nos últimos tempos a relação tem esfriado e apesar de estar na direção do partido, Costa não pôs Sousa Pinto no centro das conversas internas do PS, dando lugar de destaque a três elementos que não fazem parte da direção: Ana Catarina Mendes, líder da federação de Setúbal, Pedro Nuno Santos, líder da federação de Aveiro e Mário Centeno.

Desde a derrota eleitoral que o deputado tem-se mostrado ativo nas redes sociais, sem esconder o descontentamento face à estratégia do seu partido. Na quinta-feira, em reação ao que Daniel Oliveira escreveu na coluna do Expresso, Sousa Pinto escreveu o seguinte comentário: “O compromisso entre socialistas e estalinistas não é isento de certas dificuldades. Exemplo prático: Daniel Oliveira na sua coluna do Expresso encontrou um qualificativo para os socialistas que não se revêm na política da frente de esquerda: o PS dos interesses. Cá está a demolição moral de quem diverge, a desqualificação por grosso de uma categoria indeterminada, a torpe metodologia, cedo inculcada, do estalinismo prático. No PS não estamos habituados a isto. Espero que essa nossa feliz idiossincrasia seja levada ao conhecimento dos nossos futuros aliados”.

Ainda de acordo com o jornal i, Sousa Pinto defende que seja a coligação a formar Governo.

Sérgio Sousa Pinto foi líder da Juventude Socialista entre 1994 e 2000 e presidiu à Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas na Assembleia da República. É jurista de profissão.