Cerca de uma centena de pessoas está neste domingo a cumprir o quarto dia de vigília silenciosa em Luanda Angola, exigindo a libertação de 15 detidos por alegada tentativa de golpe de Estado, entre os quais um músico em greve de fome.

A manifestação de hoje teve início às 18h00 (mesma hora em Lisboa) e às 19h30 reunia cerca de 100 pessoas, em protesto contra a detenção, desde 20 de junho, de um grupo de 17 ativistas (dois estão em liberdade), acusados de prepararem um golpe de Estado contra o Presidente José Eduardo dos Santos.

A concentração decorre nas escadarias da igreja da Sagrada Família, em Luanda, perante um forte aparato policial, como constatou a Lusa no local, mas, até ao momento, não se registaram quaisquer incidentes.

Para o local foram mobilizados meios da Polícia de Intervenção Rápida, inclusive camiões de jatos de água e brigadas caninas. A vigília decorre em silêncio perante este aparato.

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Entre os 15 detidos — acusados a 16 de setembro de planear uma rebelião e um atentado contra o Presidente da República – encontra-se o ativista e músico Luaty Beirão, que cumpre hoje o 21.º dia de greve de fome por considerar a sua detenção ilegal.

Luaty Beirão é um dos rostos mais visíveis da contestação ao regime angolano e já chegou a ser preso pela polícia angolana em manifestações de protesto, desde 2011.

Engenheiro de 33 anos, Luaty Beirão está desde sexta-feira numa cadeia-hospital de São Paulo (Luanda), devido ao estado de saúde, já que, de acordo com a família, se encontra “em risco de vida”.

Os familiares dizem ainda que as suas visitas a Luaty Beirão, na cadeia, onde se encontra desde 20 de junho, têm sido sujeitas a limitações, não previstas, pelos serviços prisionais.

No sábado, a televisão pública angolana começou a difundir, nos espaços noticiosos, imagens do ativista, na prisão, apresentadas como “exclusivo” e “desmentindo” rumores sobre a morte do jovem.

Luaty Beirão, que assina ainda com os heterónimos musicais “Brigadeiro Mata Frakuzx” ou, mais recentemente, “Ikonoklasta”, aparenta um estado de saúde débil e surge recusando-se a prestar declarações àquele órgão público.

A Lusa noticiou, na segunda-feira, o conteúdo do despacho de acusação proferido pelo Ministério Público angolano contra os 17 jovens, alegando que preparavam uma rebelião e um atentado contra o Presidente da República, prevendo barricadas nas ruas e desobediência civil, que estes aprendiam num curso de formação.

“Os arguidos planeavam, após a destituição dos órgãos de soberania legitimamente instituídos, formar o que denominaram ‘Governo de Salvação Nacional’ e elaborar uma ‘nova Constituição'”, lê-se na acusação, deduzida três meses depois das detenções.

Os jovens negam a gravidade destas acusações, afirmando que se reuniam para discutir política.