António Costa e o partido ecologista Os Verdes vão ter esta semana novas reuniões (terça e quarta-feiras) para aprofundar as matérias que começaram a discutir na sexta-feira.

Segundo comunicado após a reunião do conselho nacional do partido que concorreu às legislativas coligado com o PCP, foram várias as condições que Os Verdes colocaram e que estão agora em debate. “Os Verdes apresentaram um conjunto de matérias que consideram necessário estarem em cima da mesa para discussão de um próximo programa de governo e para garantirem uma política diferente, atendendo àquela que é a atual situação do país”.

  • Aceitação do princípio da não privatização do setor da água
  • Discussão da política energética, dando primazia à eficiência e à poupança energética
  • Promoção dos transportes coletivos, em especial com o desenvolvimento do transporte ferroviário
  • Combate às assimetrias regionais
  • Garantia de serviços públicos de proximidade
  • Valorização das funções sociais do Estado (defesa e reforço da escola pública, do serviço nacional de saúde, diversificação de financiamento da segurança social)
  • Medidas de incentivo, apoio e dinamização da produção nacional
  • Reforço e investimento na conservação da natureza e da biodiversidade
  • Combate à precariedade no emprego
  • Valorização dos salários, incluindo o aumento do salário mínimo nacional
  • Valorização das pensões de reforma, incluindo o aumento das pensões mínimas
  • Implementação de uma política fiscal justa que tribute em função da capacidade de contribuição de cada um
  • A revisão urgente de medidas tomadas pelo anterior Governo que se demonstraram um erro crasso (e.g. aumento do IVA na restauração, liberalização da plantação do eucalipto, retrocesso no quadro da interrupção voluntária da gravidez).

“Ficaram marcadas mais duas reuniões com o PS (para as próximas 3ª e 4ª feiras), no sentido de pormenorizar e desenvolver o entendimento de políticas que cumpram os objetivos acima enunciados”, garante o partido de Heloísa Apolónia.

Na semana passada, António Costa encontrou-se, à esquerda, com o PCP e Os Verdes. À direita, com o PSD. Na agenda para esta semana, está uma reunião com o BE e outra com o PAN, na segunda-feira, bem como uma audiência com Cavaco Silva. Terça e quarta, sabe-se agora, volta a falar com Os Verdes, sendo que, apesar de terem constituído grupos setoriais, até este domingo à noite, ainda não estava marcada nova reunião PS-PCP.

Jerónimo de Sousa também fez exigências à cabeça. Na reunião com o PSD e o CDS, a mais demorada de todas, foi a que menos propostas trouxe, tanto de um lado como do outro. As do PCP foram:

  • Valorização dos salários, nomeadamente o aumento do salário mínimo para 600 euros no início de 2016
  • Combate à precariedade – alteração à legislação laboral
  • Reforço da contratação coletiva
  • Reposição dos salários, pensões e feriados e outros direitos cortados nomeadamente os complementos de reforma
  • Política fiscal justa
  • Eliminação das taxas moderadoras
  • Reposição do transporte de doentes não urgentes
  • Reversão dos processos de concessão, sub-concessão e privatização das empresas de transporte
  • Revogação da alteração à lei da interrupção voluntária da gravidez
  • Retomar o controlo público de empresas estratégicas
  • Renegociação da dívida

As negociações entre PS e a esquerda estão a provocar críticas no interior do PS e mesmo demissões. Sérgio Sousa Pinto bateu com a porta no secretariado nacional. Vítor Ramalho pede um referendo interno, caso haja coligação de Governo, enquanto Carlos Silva, da UGT, veio apelar a uma negociação com o PSD/CDS para a viabilização do Orçamento para 2016.