Em 2004, Marcelo Rebelo de Sousa e Rui Gomes da Silva protagonizaram um dos episódios mais polémicos da vida política portuguesa. O então comentador da TVI demitiu-se por alegadamente ter sido “pressionado” pelo presidente da TVI, Miguel Pais do Amaral, a moderar os seus comentários sobre o Governo de Pedro Santana Lopes. Rui Gomes da Silva era ministro dos Assuntos Parlamentares, braço direito de Santana, e tinha dito que “nem o PS, o PCP e o BE juntos conseguem destilar tanto ódio ao primeiro-ministro e ao Governo como esse comentador, que, sob a capa de comentário político, transmite sistematicamente um conjunto de mentiras com a desfaçatez e sem qualquer vergonha”.

A alegada pressão do Governo sobre a TVI para calar Marcelo Rebelo de Sousa tornou-se no principal tema da política durante dias e a Alta Autoridade para a Comunicação Social abriu um processo.

Passados 10 anos, Marcelo e Rui Gomes da Silva acabaram por fazer as pazes. E o ex-ministro de Santana e hoje o dirigente do Benfica confessa-se um apoiante da candidatura do ex-comentador da TVI, anunciada em Celorico de Basto. “Apoio o prof. Marcelo e entusiasticamente”, afirmou ao Observador Rui Gomes da Silva, explicando que já há alguns anos que os dois retomaram o contacto. Na sexta-feira à noite, horas depois da apresentação da candidatura do mais recente candidato presidencial, enviou um email ao ao ex-líder do PSD a manifestar esse apoio, tendo recebido resposta. Na TVI, este domingo, Marcelo Rebelo de Sousa referira ter recebido um email de Rui Gomes da Silva, sem, contudo, especificar o teor.

Para trás, fica a polémica da TVI que acabou com a conclusão da Alta Autoridade para a Comunicação Social de considerar as declarações de Gomes da Silva “uma tentativa de pressão ilegítima” sobre a empresa detentora da TVI, capaz de pôr em causa a independência de um meio de comunicação social. Marcelo saiu da TVI em 2004 e passou a ter um programa de comentário político na RTP, que durou cerca de cinco anos. Em 2010, estava de regresso à TVI, onde sempre obteve melhores audiências.

Para trás, fica também o apoio a uma eventual candidatura de Pedro Santana Lopes, que acabou por não se concretizar. O ex-autarca de Lisboa e hoje provedor da Santa Casa chegou a equacionar uma candidatura no início do ano, mas veio entretanto declarar publicamente que não iria avançar para essa corrida. Nos seus planos, pode estar uma nova candidatura a Lisboa nas autárquicas de 2017.