Holly Hoyle O’Brien é auxiliar de enfermagem no hospital de Sarasota, na Florida. Foi contratada no começo do ano. Meagan Hughes também foi contratada, para o mesmo o hospital, com o mesmíssimo cargo, mas três meses mais tarde.

As duas trabalham no mesmo piso, partilham o mesmo horário, das sete da manhã às sete e meia da tarde, e, naturalmente, fizeram-se amigas. Mas Holly e Meagan, conversa puxa conversa, cedo descobriram que o que as ligava era mais do que amizade, era sangue.

Para compreender a história de Holly e Meagan, ou melhor, de Pok-nam Shin e de Eun-Sook, é preciso recuar a Seoul, até à Coreia do Sul do começo da década de 1970. Holly e Meagan são irmãs, ou meio, filhas do mesmo pai e de mães diferentes. Meagan Hughes, à parte de Holly, tem outras duas irmãs, mas não tem memória de algum dia ter convivido com a mãe. Holly, por sua vez, foi retirada pela mãe ao pai, alcoólico e violento, e entregue a um orfanato.

Meagen continuou a viver com o pai até aos cinco, altura em que este faleceu, e ela foi entregue para adopção num orfanato em Pusan. Em 1978, com nove anos, foi adoptada por um casal norte-americano e da Coreia do Sul viajou para o estado da Virginia. Anos antes, em 1976, também Holly foi adoptada, também por um casal de americanos, mas foi viver para o estado de Nova Iorque. Cresceu a menos de 500 km da irmã, mas nunca soube, sequer, da existência dela.

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Encontraram-se em 2015, quase quarenta anos após a separação abrupta e em tenra idade. Ao Sarasota Herald-Tribune, Holly disse: “Eu fiquei, wow!, ‘isto é bom demais para ser verdade’. E disse-lhe [a Meagan] que tínhamos de fazer os testes de ADN. Era a única forma de descobrir se éramos ou não irmãs.”

Os testes foram realizados em agosto e o resultado foi positivo. “Eu fiquei a tremer, eufórica, mas sem me conseguir mexer”, contou Holly, relatando o instante em que soube os resultado dos testes de ADN. A irmã teve uma reacção idêntica: “Quando a Holly me disse, a minha reacção foi, ‘oh, meu Deus!’ Fiquei em choque, ‘aparvalhada’. Eu tinha uma irmã e não sabia.”