A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) está a estudar a criação de uma força conjunta de saúde militar para intervir, nomeadamente, em cenários de catástrofe, disse à Lusa fonte oficial portuguesa.

A informação foi transmitida à agência Lusa pelo diretor do Serviço de Saúde Militar do Estado-Maior General das Forças Armadas portuguesas à margem do 17.º encontro de saúde militar da CPLP, que está a decorrer em Luanda, até quinta-feira.

De acordo com o major-general médico José Maria Gouveia Duarte, dentro da CPLP já funciona um observatório próprio, espaço no qual os vários países partilham experiências e conhecimentos nas diferentes vertentes da saúde militar.

“Para, daqui a uns anos, podermos ter essas forças efetivas com meios nos vários países”, apontou o oficial general, da Força Aérea Portuguesa.

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Especialistas civis e militares das forças armadas dos nove países da CPLP iniciaram hoje, em Luanda, um ciclo de reuniões de três dias para abordar a saúde militar nesta comunidade e o seu desenvolvimento no futuro.

“O que se pretende neste congresso é dar o passo seguinte para arranjarmos forças cooperativas entre todos os países. Mas poderá ter que levar algum tempo até ser realidade”, admitiu ainda José Maria Gouveia Duarte.

O diretor do Serviço de Saúde Militar português explicou tratar-se de uma possível força conjunta ‘on-demand’, para intervir “quando necessário”, como “em grandes catástrofes”. Uma cooperação que, sublinhou, já acontece na prática, mas ainda de “forma desgarrada”.

“É mais a questão de estruturar essa participação. Para os países da CPLP era uma grande mais-valia”, reconheceu.

No encontro de Luanda participam, além de Angola e de Portugal, delegações militares do Brasil, Timor-Leste, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Moçambique.

José Maria Gouveia Duarte, que coordena a estratégia da saúde militar nacional, explicou ainda que Portugal colabora ativamente com os restantes países da CPLP, nomeadamente assegurando a formação de especialistas e na partilha de conhecimentos.

“Eles próprios [países da CPLP] nos procuram, por exemplo no lidar com o ‘stress’ pós-traumático. Estamos também no ensino e na formação”, apontou.