Portugal tem cerca de 51 mil pessoas com uma fortuna avaliada em mais de um milhão de dólares (cerca de 900 mil euros), de acordo com o anexo ao relatório sobre a riqueza mundial para 2015 do Crédit Suisse, divulgado esta terça-feira.

Este número é inferior aos ricos registados, por exemplo, na Grécia, país que na Europa tem sido sinónimo de empobrecimento. Segundo o documento,  58 mil gregos terão uma riqueza acima de um milhão de dólares. Este número vale contudo praticamente o mesmo em percentagem da população dos dois países: 0.5%

Esta relação mantêm-se nos níveis superiores da escala da fortuna, acima dos cinco milhões de dólares (4,4 milhões de euros). Em Portugal, o relatório revela apenas 5124 adultos com este nível de riqueza, contra quase 5900 na Grécia.

No entanto, a diferença entre os ricos portugueses e gregos tem vindo a encolher, o que significa que os milionários helénicos estão a ver a sua fortuna desvalorizar mais do que os portugueses. Em 2011, havia, por exemplo 79 mil gregos no escalão entre um milhão e cinco milhões de dólares, número que em Portugal estava nos 66 mil. Os ricos finlandeses estavam no meio, mas no ranking de 2015, os dois países aparecem seguidos. A Grécia primeiro, Portugal depois.

A bolsa e e euro/dólar

A queda das fortunas nacionais é explicada pela crise, com especial destaque para a performance bolsista das empresas detidas pelos “milionários”, que muitas vezes é o factor mais pesa no sobe e desce das fortunas. No caso de Portugal e da Grécia, e da generalidade dos países europeus, conta também muito a relação entre o dólar e o euro, já que a lista do Crédit Suisse é feita na moeda americana e quando esta valoriza, os ativos em outras moedas perdem valor.

Já abaixo das riquezas nacionais estava um país que associamos a grandes fortunas, a Arábia Saudita. Os dados apontam para menos de 50 mil sauditas com património acima de um milhão de dólares, mas permitem perceber que as fortunas estão muito mais concentradas no escalões mais altos.

Os três bilionários nacionais

Em Portugal, tal como na Grécia, há três pessoas com uma fortuna avaliada em mais de mil milhões de dólares (880 milhões de euros). Basta cruzar este número com a última edição dos 25 mais ricos da revista Exame, divulgada este Verão, para chegar à identidade dos milionários: Américo Amorim, Alexandre Soares dos Santos da Jerónimo Martins e Belmiro de Azevedo.

Com uma fortuna avaliada entre 500 milhões e mil milhões de dólares, estavam apenas referenciados cinco casos. Com património entre os 100 milhões e os 500 milhões de dólares (440 milhões de euros), estavam assinalados 65 pessoas.

Os Estados Unidos são o país com mais ricos, com mais de 15 milhões de pessoas com património acima de um milhão de dólares e mais de 500 com uma fortuna superior a mil milhões de dólares. Seguem-se o Reino Unido, o Japão, a França, a Alemanha e a China.