É na relação com o sistema judicial que as empresas nacionais enfrentam mais obstáculos à sua atividade, revela um estudo do INE que se baseou num inquérito a cerca de cinco mil empresas. Numa análise aos chamados “custos de contexto“, as empresas queixam-se, também, de questões relacionadas com os licenciamentos e com o sistema fiscal.

O INE define “custos de contexto” como “efeitos negativos decorrentes de regras, procedimentos, ações e/ou omissões que prejudicam a atividade das empresas e que não são imputáveis ao investidor, ao seu negócio ou à sua organização”. Assim, “entre os domínios de custos de contexto analisados, foi no sistema judicial que as empresas identificaram os maiores obstáculos à sua atividade. Seguiram-se os licenciamentos e o sistema fiscal como os mais problemáticos”, refere o estudo do INE. Estes “três domínios registaram os custos mais elevados, independentemente da dimensão e do setor de atividade da empresa”, explica o gabinete de estatísticas.

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O inquérito que serviu de base a este estudo foi feito junto de cerca de cinco mil empresas não financeiras, com uma amostra estratificada por escalões de dimensão e atividade económica.

O estudo revela, também, que “as sociedades não percecionaram alterações muito significativas aos obstáculos na maior parte dos domínios de custos de contexto, entre 2012 e 2014. Deram, ainda assim, conta de um ligeiro aumento dos obstáculos, em todos exceto o início de atividade”. Já “o sistema fiscal e a carga administrativa sobre as sociedades foram os domínios em que as empresas expressaram um aumento mais significativo dos obstáculos à sua atividade”.

Onde as empresas não demonstraram sentir dificuldades, segundo este inquérito, foi nas questões relacionadas com o início de atividade, acesso ao financiamento, operações ligadas a recursos humanos e indústrias de rede. Onde também não foram relatadas dificuldades foi na internacionalização, mas em parte porque este “não é, ainda, um domínio muito presente na vida da maior parte das sociedades”.